sexta-feira, 9 de outubro de 2009

TRIBUTO A FERNANDO PESSOA


http://www.youtube.com/watch?v=eOTHlK_4goQ


PARA SER GRANDE SÊ INTEIRO

Para ser grande sê inteiro:

Nada teu exagera ou exclui,

Sê todo em cada coisa,

Põe quanto és no mínimo que fazes.

Assim em cada lago, a lua toda brilha,

Porque alta vive.

Ricardo Reis

HETERÓNIMO DO GRANDE FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa com o percurso de vida de 13 de Junho

de 1888 a 30 de Novembro de 1935, mais conhecido como Fernando Pessoa,

foi um poeta e escritor português. Pessoa media 1,73 m de altura, de acordo com

o seu Bilhete de Identidade. A causa de morte registada no seu assento de óbito

de Pessoa indicou "bloqueio intestinal".

É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, e o seu valor

é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o,

juntamente com Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter

vivido a maior parte de sua adolescência na África do Sul, a língua inglesa

também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo,

trabalhando e estudando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou

no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura,

onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como seus

heterónimos, Ávaro Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. A figura enigmática

em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre as suas vida e obra,

além do fato de ser o centro irradiador da heteronímia, auto-denominando o autor

um "drama em gente".

Morreu de cólica hepática aos 47 anos na mesma cidade onde nasceu, tendo a sua

última frase sido escrita na língua inglesa: "I know not what tomorrow will bring...

" ("Não sei o que o amanhã trará").

Manuel Vilhena de Carvalho, um seu leitor infatigável de Fernando Pessoa, devotado

coleccionador das suas obras que se debruçava sobre questões em aberto na vida

e obra do Poeta, onde propunha algumas soluções. Este grande Poeta exercia para

alguns um fascínio que implicava a total fidelidade de uma vida, ora na busca da obra, do primeiro livro, de tudo o que de alguma forma pudesse falar do poeta. É um fascínio por vezes começado na escola, onde cuidadosamente fora cultivado, permanecendo assim, na tentativa da descoberta da personalidade do poeta e daqueles pequenos pormenores que não interessam aos críticos. Há um grande interesse pela sua obra, devido à riqueza da obra repartida por outros poetas e escritores, seus heterónimos.

Referiu que em 1950, aparece uma obra de valioso e reconhecido mérito, cujo autor

é João Gaspar Simões, intitulado Vida e Obra de Fernando Pessoa, no entanto é fulcral

as suas notas repletas de inexactidões e erros. Estes não aparecem por acaso, são factores

dados por outros ensaístas e críticos mas que foram aceites como verdadeiras certas afirmações

ou até interpretações mas maior exactidão teria se a sua obra fosse repensada por ela mesma,

no seu todo. As obras conhecidas foram publicadas após a sua morte, se o tivesse efectuado

em vida, Fernando pessoa talvez nem tivesse tempo para os organizar a todos, visto que a sua

obra era composta por mais de duas plaquettes, 35 sonetos em inglês, o Antínous também em inglês,

a Mensagem em Português, de tantas obras que se possa debruçar ou discutir, é difícil tirar uma

resposta concreta. No entanto em vida ele publicou centenas de poesias e também textos em prosa

espalhadas por várias dezenas de revistas e jornais. Fernando Pessoa foi o seu primeiro grande

seleccionador, visto que publicou aquilo que considerava ter maior interesse. Ficou no ar respostas

como o porquê dele não ter publicado toda a sua obra, visto que não lhe seria difícil conseguir

editor como faziam muitos dos seus contemporâneos e, como ele próprio obteve para publicar

a Mensagem e as duas edições dos seus poemas em inglês. Será que ele pensaria que a sua

obra só seria entendida muitos anos depois? Andou no ar a ideia de que o autor fez alguns planos

de organização da sua obra. É do conhecimento geral a polémica existente entre Gaspar Simões

e Jorge Nemésio quanto à divergência de apreciação das indicações para a organização da edição

existente no próprio espólio de Fernando Pessoa. A sua personalidade era complexa, obscura, tortuosa

e, manifestava o drama da sua própria existência que, encontrou a resolução nos seus heterónimos,

um todo dividido e unido ao mesmo tempo. Pensa-se que a história dos heterónimos de Fernando Pessoa

marca, não o desdobramento de personalidade mas, uma atitude intelectual de multiplicação das diferentes

facetas de si próprio. É paradigmático o episódio do anúncio a amigos da existência de um poeta da Galiza

que dava pelo nome de Alberto Caeiro perante o que um deles afirmava conhecer muito bem, levando a que

Pessoa tenha dado vida àquele poeta inventado.

Mensagem é o poema controverso que deu origem a variadíssimas interpretações e, a algumas tentativas

de aproveitamento político. No entanto, ao contrário do que queriam fazer parecer querer, não se tratava

de um livro nacionalista pois os seus poemas datavam de um tempo muito afastado do tempo em que fora editado

e, reflecte apenas a ideia que Pessoa tinha da projecção de Portugal no Mundo, sendo por isso um livro muito

mais messiânico do que nacionalista.

Fernando Pessoa era também um estudioso da astrologia e, pretendeu até abrir um consultório em Lisboa. Augusto Ferreira Gomes, um seu amigo e escritor, no seu livro No Claro/Escuro das Profecias escreve como dedicatória “À memoria do astrólogo Fernando Pessoa”. E do conhecimento de muitos que Pessoa traçou o horóscopo dos seus heterónimos, entre outros o de Orpheu, o de Sá-Carneiro e o de Portugal. De personalidade multifacetada o poeta ressalta com frequência um ou outro episódio onde o humor domina, onde Pessoa parece querer ser o centro de uma história, o motivador de uma qualquer situação interessante. Ele não seria apenas uma pessoa séria e introspectiva mas tinha também do seu lado um sentido de humor notável. Formou-se em seu redor a ideia de um homem só, no entanto Pessoa cultivou ao longo da sua vida muitas amizades, sendo a mais conhecida a que travou com Mário de Sá-Carneiro. Fernando Pessoa correspondia a essa amizade a ponto de nem se furtar ao encargo de tarefas menores como aquela em que vai ter com a ama de Sá-Carneiro e lhe pede o cordão, o empenha e, envia o produto do penhor ao amigo. Manuel Vilhena de Carvalho desejava poder ter na sua biblioteca todo o espólio da obra de Fernando Pessoa, considerada por aquele como a riqueza do conhecimento.


Curiosidades

Armindo Freitas-Magalhães, professor universitário criou um inédito programa de literacia

emocional, inspirado no verso de Fernando Pessoa Se às Vezes as Flores Sorriem (2009).

Após ter combinado um encontro com José Régio Pessoa apareceu declarando ser Álvaro

de Campos e pedindo perdão por Pessoa não ter podido comparecer ao encontro.

Ele trabalhou como correspondente comercial, num sistema que hoje denominamos free lancer. Assim,

Fernando Pessoa podia trabalhar apenas dois dias por semana, dedicando os demais, exclusivamente,

à sua grande paixão: a literatura.

Cecília Meireles, poetisa, professora e jornalista brasileira, veio a Portugal em 1934, para proferir

conferências na Universidade de Coimbra e na Universidade de e realizar o seu grande desejo de conhecer

o poeta, de quem se tinha tornado admiradora conseguindo comunicar com ele através de um dos escritórios para

os quais Fernando Pessoa trabalhava, e marcar um encontro para o meio-dia, mas esperou inutilmente até às duas

da tarde sem que Pessoa desse um ar da sua graça. De regresso ao hotel, Cecília teve a surpresa de encontrar um

exemplar do livro Mensagem e um recado do misterioso poeta, justificando que não comparecera porque consultara

os astros e, segundo o seu horóscopo eles não se deveriam encontrar. Realmente, não se encontraram nem houve

muito mais oportunidades para tal, pois no ano seguinte Fernando Pessoa faleceu.

Em homenagem ao poeta, foi criada a Universidade Fernando Pessoa (UFP), com sede no Porto.

Fernando Pessoa foi o primeiro português a figurar na Plêiade, prestigiada colecção francesa de

grandes nomes da literatura.

(Collection Bibliothèque de la Pléiade). Ofélia Queiroz, sua namorada, criou um heterônimo para Fernando Pessoa:

Ferdinand Personne. "Ferdinand" é o equivalente a "Fernando" em alguns idiomas e "Personne" significa "ninguém"

em francês, residindo a curiosidade deste trocadilho no fato da possibilidade de Fernando ao criar outras personalidades,

não se sentir com um eu definido.

Nos Mal-Amados (2008), Fernando Dacosta relata uma conversa com Agostinho da Silva, onde refere que conhecera

pessoalmente Fernando Pessoa em Dezembro de 1934 e que o poeta confidenciara-lhe, envergonhado, que estava

muito arrependido por ter escrito as cartas de amor a Ofélia. Vira-se obrigado a fazê-la devido ao factor da irremediável

fantasia heteronímica. Como tal e para saber como seria o romance entre um vulgar empregado de escritório e uma sua

colega de trabalho, carente de afecto manteve e disfrutou do jogo durante algum tempo, mas, quando se apercebeu

da monstruosidade da coisa, decidiu por fim ao romance fictício, para não fazer sofrer uma mulher real e apaixonada.

Foram várias as formas de homenageadas encontradas por artistas nossos conhecidos como: Caetano Veloso, cantor

brasileiro que compôs a canção Língua, em que existe um trecho inspirado num artigo de Fernando sobre o tema

A minha pátria é a língua portuguesa, o trecho é: A língua é minha Pátria / E eu não tenho Pátria: tenho mátria

/ Eu quero frátria; o compositor Tom Jobim transformou o poema O Tejo é mais Belo em música; tal como Vitor

Ramil, cuja música Noite de São João tem como letra a poesia de Alberto Caeiro; a cantora Dulce Pontes musicalizou

o poema O Infante; o grupo Secos e Molhados musicalizou a poesia Não, não digas nada; os portugueses Moonspell

cantam no tema Opium um trecho da obra Opiário de Álvaro de Campos; o cantor Renato Braz traz no seu cd

Outro Quilombo duas poesias musicadas: Segue o teu destino, de Ricardo Reis, e Na ribeira deste rio,

de Fernando Pessoa.

Na área empresarial e a nível artístico, o jornal Expresso e a empresa Unisys criaram, em 1987,

o Prémio Pessoa, concedido anualmente à pessoa ou às pessoas de nacionalidade portuguesa que,

durante o ano transcorrido e na sequência de actividade anterior, se tenham distinguido na vida científica,

artística ou literária. A empresa Unicre, lançou em 2006, um cartão de crédito intitulado A palavra com

o intuito de dar oportunidade a cada um dos titulares, de poder gravar, à escolha, uma de 6 frases de Fernando

Pessoa ou dos seus heterônimos.

Luísa Abreu

09/10/09


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MY WONDER MOON

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MY WONDER MOON

Here comes a night
and for me it's the best part of the day.
Even if I'm alone
I still sing a song
no mather what people say
I don't have another way.

(Refrão)

Screamin' loud
a bottle on the ground
with my friends sitting around
don't really matter
what's going on
I just care about the song
Uh, uh, uh, I like the sunset
It brings me back the moon.

I look at the sun
it's already gone
the blue sky is turning black
I'm waiting for her
with my cigar box
it seems to be so different
it's all gone so quiet.

Refrão

When she arrives
I will sing all the songs that I know
until now it has been
this way


Hands & Approach - lyrics

AMAR SEM SE PERDER...

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AMAR SEM SE PERDER...

O Amor pode ser um sonho arrebatador que nos faz voar para lá dos nossos próprios horizontes e, quando nos reveste com as cores do arco-íris e nos leva sem cessar pela magia de um som que nos afaga o coração e enobrece a alma é um sentimento espectacular... muito sensual quanto íntimo embriaga o nosso ser deixando-nos para lá de nós mesmos... Uma entrega que se liberta e compreende, que se respeita e defende.

No entanto, quando se chama de amor aquilo que pretende anular o nosso próprio ser e nos arrasta para o fundo de um poço como se não fossemos nada... isso é o fim de um ser...uma descida para uma noite negra e sem o apoio ou brilho da lua. Quando o amor se torna uma obrigação constante... um sonho desfeito em lágrimas... um desatinar inconstante perdido e disfarçado por umas horas de riso, um vento de loucura... cuidado! Pode não valer a pena.

O amor é um mundo vasto e muito profundo mas tem e deve ser alimentado, recriado... deve vestir-se de fantasia e deitar-se com o pôr-do-sol. Deve ser dar e receber sem se perceber onde começa a loucura que o vento sopra... O amor tem de começar dentro de nós. Deve ser aceitar o outro como é e ser aceite... compreender e ser compreendido... acarinhar e ser acarinhado.... viver e deixar viver.

Temos que amar a pessoa que somos em primeiro lugar, sem deixar que a vida ou o que nos embriaga nos anule, por um sonho que pode ser vago... Há que olhar no espelho e sentir orgulho de sermos o que somos com defeitos e virtudes para que possamos amar em liberdade os outros. Ter capacidade para amar é um dom que nem todos têm e saber amar e respeitar é ser humano, ter valores e saber ser primeiro que tudo. Não quero com isto dizer que há quem não tenha capacidades de amar...não. Apenas que algumas pessoas esquecem que amar não é subjugar-se, ou subjugar outros, a vontades ou sofrer, como era designado, romanticamente, pelas grandes histórias de amor de que tanto já ouviramos falar ou mesmo já as tenhamos lido. Amar é ser feliz. O que nos pode fazer infeliz é a falta de amor... as ausências que podem ser sentidas mesmo estando lado-a-lado. Esta entrega que tantos anseiam mas, que ao mesmo tempo temem, pelo compromisso, pelo altruísmo que nela está implícita.

Amar a pessoa que somos é ter a capacidade para decidir ser... mas ser a cem por cento. Assumirmos os nossos sonhos as nossas vontades, os nossos defeitos e virtudes e nunca, nunca deixarmos que alguém nos coíba desse sentimento nobre. Há que ter forças para perceber quando o vento não sopra a nosso favor e só nos joga o lixo da sua própria estupidez... Há que ter forças para mudar o nosso próprio destino, pois só nós somos donos deles e o futuro é o que quisermos dele... ou ser uma anulação e deixar morrer cada brilho que a vida nos foi dando, cada sonho criado na encruzilhada de um crescimento natural ou gritar bem alto que: NÃO PODE SER! Gritar bem alto que o vento tem e deve-nos trazer as cores do arco-íris e colocar os nossos valores resguardados na doçura da lua... libertar o espírito dos tormentos que o corvo nos joga vingativo num dia incerto e escuro e gritar: VIVA A VIDA! EU SOU.... EU ME AMO.... SOU ESPECIAL..... MEREÇO SER FELIZ!

Deixar que o sol brilhe no nosso coração é importante, sentir o calor da ilusão de um vazio é humilhante mas, sentir o calor de amar sem se perder é o melhor que a vida nos pode oferecer.


Luisa Abreu
01/10/09