quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

WE ARE THE WORLD


http://www.youtube.com/watch?v=xQOeDYDOCKc&feature=player_embedded

(Um vídeo que me fez rir e sentir ternura)



Para que o próximo ano não nos deixe esquecer as lições dadas neste ano. Para que cresçamos com o sabor dos elos, das pontes, que se fazem de todos os géneros e gostos mas que marcam épocas, encontros e desencontros mas, especialmente lições que nos chegam numa lágrima ou através de um abraço quente do olhar mais distraído.

Para que a vida se continue a fazer com esperança, apesar de todos os confrontos e desencontros, de todos os inquientantes momentos que nos fazem sentir menos ou mais motivados para prosseguir. Para que nunca esqueçamos que apesar dos anos que passam e dos que chegam, o mundo somos todos nós nas nossas diferenças e igualdades. Que o mundo é feito de defeitos e virtudes, de imperfeições que se tentam aperceiçoar dia-a-dia e crescer com um sorriso que vai crescendo nos passos dos nossos filhos, na partilha e na comunhão da solidariedade.

Para que esse mundo saiba crescer com todas as partes que dele fazem parte e nunca se esqueça dos colos da sua infância, das partidas dos irmãos(ãs), das letras que se refrescam em cada ano escolar, dos porquês que nos invadem cada vez que damos um passo em frente. Para que os medos não nos acorrentem mais do que o tempo do porquê e, para que se chegue sempre à vontade de seguir e colocar em prática tudo o que aprendemos.

Seremos sempre um mundo que grita e se revolta perante injustiças e desigualdades. Seremos sempre um mundo com capacidade de ser solidário por boas causas. Seremos sempre um mundo que quer acreditar que é possível. Seremos sempre o colo de outros mundos que são particulas do mundo que somos de cada vez que nos levantamos para enfrentar a batalha do dia-a-dia e incitar a que seja possível evoluir. Seremos sempre um mundo onde apesar de tantas revoltas e injustiças, se levantará a voz da revolta e do desejo de endireitar o que nos parece fora do caminho.

Luisa Abreu 29/12/2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

QUANDO A IDADE FÍSICA... NÃO SE COADUNA COM A IDADE INTERIOR...



Está à porta o DIA INTERNACIONAL DA MULHER para fazer lembrar quão enormes foram os passos dados por imensas mulheres ao longo dos séculos. Foram esses passos, essas audácias e ousadias corajosas que proporcionaram a algumas mulheres o respirar mais livre que hoje se sente ainda mas, para lembrar também que há muito caminho ainda a desbravar a nível mundial para que as guerras sejam a capa perfeita para castrar e violar mulheres e crianças. Para que se deixe de usar a palavra tradição com orgulho para justificar mutilações no feminino, tantas humilhações físicas e psicológicas. Mas, apesar de aqui estar em prol de atitudes humanas que libertem o nosso caminhar e tragam paz numa existência que deveria ser de complementariedade e, nunca, de guerras complexadas e complexas que tudo destrói. No entanto, ainda acredito nas qualidades do ser humano, temo-las diariamente, felizmente.

No entanto e, tal como refere o título, o tema mais importante aqui é o facto de existir tanta gente que se sente mais novo do que na realidade é. Gente que sente vibrar dentro de si uma energia e uma luz que a atira para a vida com garra e, no seu peito sinta que tem menos idade do que o Bilhete de Identidade indica. Sei que muitas pessoas o sentem, algumas o revelam e, outras o calam, sempre que se olham ao espelho. Neste teor resolvi colocar um texto escrito pela Rosa Lobato Faria intitulado MAZELAS.

"MAZELAS

Aos 77 anos, como é natural, aparecem-nos todas a mazelas, insignificâncias: uma dor aqui, uma dor ali, nas costas, na perna, na cabeça, uma pequena coisa na pele, na unha, no olho. Não ligo nenhuma. Porque a minha pior mazela é não acreditar que tenho 77 anos.
Eu bem me farto de dizer aos quatro ventos a minha idade para ver se interiorizo esse facto, mas, por dentro, estou na casa dos trinta, vá lá quarenta, e não passo daí.
Setenta e sete anos? Que loucura!
Tenho sempre tanta coisa para fazer, para acabar, para ler, para escrever, tanto lugar para visitar, tanto museu para ver e depois as mazelas - ai! -, mas vou, porque tenho trinta anos e, evidentemente, tenho que ir.
Não tenho a noção de ser uma senhora velha. Digo Estava lá uma velhota, ou imaginem que uma velha... Estou a falar de pessoas provavelmente mais novas que eu, mas não me enxergo. Até quando irá durar esta idade subjectiva que não me deixa envelhecer tranquilamente?
Só quando me oferecem o braço ( já caí na rua e parti a perna, mas nem assim...), quando me sentam no lugar de honra à mesa, quando me dão assento na direita no automóvel, quando não me dirigem galanteios (que estranho!), acordo para a realidade: ai, é verdade, tenho 77 anos, que maçada...
Últimamente, tive (ou tenho, ainda não percebi) cancro de mama. Como acho que Deus não me ia mandar esta doença só para me chatear, abri uma campanha de sensibilização (televisão incluída), para que as mulheres façam mamografias. Transformei a porcaria da doença numa coisa positiva. Passei os trâmites habituais: operação, radioterapia, etc. Tudo pacífico. Ainda por cima, o médico disse-me que era pouco provável que o cancro me matasse, porque na minha idade, as células já não são o que eram... Ai sim?
Tenho 77 anos, que alegria!..."

Rosa Lobato Faria"