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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

WE ARE THE WORLD


http://www.youtube.com/watch?v=xQOeDYDOCKc&feature=player_embedded

(Um vídeo que me fez rir e sentir ternura)



Para que o próximo ano não nos deixe esquecer as lições dadas neste ano. Para que cresçamos com o sabor dos elos, das pontes, que se fazem de todos os géneros e gostos mas que marcam épocas, encontros e desencontros mas, especialmente lições que nos chegam numa lágrima ou através de um abraço quente do olhar mais distraído.

Para que a vida se continue a fazer com esperança, apesar de todos os confrontos e desencontros, de todos os inquientantes momentos que nos fazem sentir menos ou mais motivados para prosseguir. Para que nunca esqueçamos que apesar dos anos que passam e dos que chegam, o mundo somos todos nós nas nossas diferenças e igualdades. Que o mundo é feito de defeitos e virtudes, de imperfeições que se tentam aperceiçoar dia-a-dia e crescer com um sorriso que vai crescendo nos passos dos nossos filhos, na partilha e na comunhão da solidariedade.

Para que esse mundo saiba crescer com todas as partes que dele fazem parte e nunca se esqueça dos colos da sua infância, das partidas dos irmãos(ãs), das letras que se refrescam em cada ano escolar, dos porquês que nos invadem cada vez que damos um passo em frente. Para que os medos não nos acorrentem mais do que o tempo do porquê e, para que se chegue sempre à vontade de seguir e colocar em prática tudo o que aprendemos.

Seremos sempre um mundo que grita e se revolta perante injustiças e desigualdades. Seremos sempre um mundo com capacidade de ser solidário por boas causas. Seremos sempre um mundo que quer acreditar que é possível. Seremos sempre o colo de outros mundos que são particulas do mundo que somos de cada vez que nos levantamos para enfrentar a batalha do dia-a-dia e incitar a que seja possível evoluir. Seremos sempre um mundo onde apesar de tantas revoltas e injustiças, se levantará a voz da revolta e do desejo de endireitar o que nos parece fora do caminho.

Luisa Abreu 29/12/2010

terça-feira, 22 de setembro de 2009

PALAVRAS GASTAS...



PALAVRAS GASTAS...

Há muito se ouve que as palavras estão gastas. Que nada mais há para lá do silêncio frio e distante da ocasião. Diz-se também que o AMOR é uma das palavras já gastas mas, discordo desta ideia. Oamor é uma palavra pequena mas, com significados enormes e nobres. O amor para mim tem vários pesos e medidas, tal como a lua não é olhada com a mesma magia quando aparece de dia, porque a noite é o seu verdadeiro palco. O amor não pode ser visto apenas como a ligação entre dois seres que fazem juras de amor próprias da época porque é um leque vastíssimo de cores. O amor existe quando estamos numa sala de parto, quando abraçamos a mãe ou o pai com carinho e, vice-versa, quando olhamos para um irmão ou irmã querendo protegê-los dos males do mundo. O amor existe também com o nome de AMIZADE, aquela que se mostra verdadeira e presente nas nossas ascenções e quedas. E para já é deste que vou falar, não da amizade dos copos, não da amizade de conveniência, não da amizade colorida... mas da verdadeira amizade. Aquela que nos aceita e respeita como somos, elevando as nossas qualidades e, esquecendo até os defeitos. Não, o amor/amizade não é uma palavra gasta se assim não quisermos mas, temos sempre que olhar os dois lados e respeitar as diferenças.

Há um estudo interessante feito por quem é entendido nas questões interpessoais, muito mais do que eu, pequena aprendiz, onde diz que as boas relações de amizades aumentam a nossa qualidade e, anos, de vida. Ter um amigo é cada vez mais precioso, as pessoas moram do nosso lado mas parecem mais distantes que, aquelas que nos falam pela internet do outro lado do oceano. Perdem tempo com observações idiotas. Perdem tempo a saber porque outro/a vizinho/a tem o carro que não podem ter ou, porque a casa é comprada enquanto a sua é alugada. A verdade é que todas estas preocupações são ninharias perante a solidão que o mundo vive. Tanta gente prefere ocupar-se da vida do alheio porque a sua está vazia, em vez de tratar de cuidar desse vazio e, preenchê-lo com o que realmente vale a pena.

Não creio que as palavras estejam gastas, creio pois, que as pessoas deixam que exista um muro cada vez maior, com a falta delas, com medo de as usar, com medo... quando o medo é a pior prisão do mundo, pois pode levar ao suicídio, como já o mundo averigou tantas e tantas vezes.

Existem olhares que só por si falam essas palavras, existem abraços que revelam o seu significado, existem amizades que crescem e se desenvolvem, tornando-se o melhor do mundo e, existem outras que simplesmente preferem fechar as portas a ter que chorar de novo. A vida é isto mesmo. O complexo entre as palavras bonitas e feias, a descoberta diária e a aceitação do outro e de si próprio. A vida é todo um conjunto de palavras e escolhas que se fazem. Há quem escolha bater a porta e não dar-se ao prazer de viver toda a complexidade desta vida, com as descobertas, a aceitação, os momentos bons ou menos bons. Fecham-se com portas de dor e de medo. Fecham-se para que o peito não mais sangre neste difícil crescer de almas que é a aprendizagem diária. Doi crescer, doi muito... não é pera doce para ninguém mas, é um processo que só passa quem tem o prazer de estar vivo e, saber aceitar todos os altos e baixos é uma benção do universo. Um simples pôr-do-sol, em toda a sua complexidade, pode ser fascinante. Molhar os pés no rio e deixar-se estar a beber da melodia das correntes é uma dádiva que poucos sabem apreciar. A amizade é como um rio, onde é preciso saber conduzir ou remar o seu próprio barco sem nos esquecermos dos outros que passam e agradecer os que param para apreciar-nos, mesmo que por momentos.

A amizade é um rio calmo e sereno. É o verdadeiro abrigo que nos acolhe nas horas incertas. Este tipo de amor partilha e aceita, abriga e compreende, acarinha e é leal. Está presente quando menos esperamos mas, tem variadíssmos graus de intensidade... mesmo o verdadeiro não é igual para todos, dando-se a todos com a mesma sinceridade. Reconhece em todos os elementos as suas diferenças e a melhor fórmula de, a cada um, chegar. No entanto este amor/amizade apesar de compensar muitas horas em muitos abalos, só se permite ficar nestes calmos lagos para não se perder. Nem sempre é bem entendido, nem sempre é aceite com calma ou serenidade... por vezes sente a frieza da desconfiança. Este tipo de laço que une muitas pessoas nem sempre é apertado da mesma forma e, a palavra amor, nem sempre é aqui entendida da melhor maneira. Há quem tenha medo desse laço, mesmo desejando atá-lo, e fuja constantemente contrariando assimo seu próprio desejo quase, incoscientemente.

Na verdade a amizade é um campo de amor lato, o facto de se dizer a alguém, amo-te, não quer dizer que ultrapasse a fronteira da amizade visto que esta é um tipo de amo ou laço de amor, como se queira entender mas faz parte das relações interpessoais, que tanta gente teme, considera confuso e, dentro de si nem sabe, por vezes resolver.

O facto de eu dizer a alguém que conheço amo-te, pode-se entender de várias formas mas, jamais querendo ultrapassar fronteiras que nem foram visualizadas. Desde muito cedo que me apaixonei por esta palavra e, sinto que a humanidade precisa de a ouvir mais vezes sem preconceitos, banalizações ou, até sem conotações pré-concebidas. Sim, sei que não é perceptível para toda a gente mas, o amor não pode ser igual para com ninguém. Nós amamos os nossos pais de foram diferente da que amamos os nossos irmãos ou filhos. O amor é um terreno imenso de comoção, compaixão e, traz-nos sempre o consolo de nos entender, mesmo que por minutos. Amo várias pessoas que estão na minha vida e, todas de diferente forma mas aliádas com a verdade de saber que sou ou o que sou, sem problema de soltar o calor de um abraço. Normalmente, um acto que não é muito perceptível à maioria das pessoas. Existem as conotações, as falsas crenças, o tipo de educação que tudo difere, as culturas e tantos outros lugares comuns que, por vezes tente a banalizar essa dádiva. Jamais será banal dizer a alguém que se ama, mesmo que algum dia esse alguém despreze, por alguma razão o abrigo que já teve nele. Amo-te, é uma palavra que pode ter a intensidade que o lugar lhe der, por vezes só tem o que se quer ouvir e, nem sempre quem o diz fá-lo com a mesma intensidade do que sente quem o ouve - isto seja qual fôr o tipo de amor. Tenho sentido que mesmo entre entes familiares não me é permitido dizer amo-te, se o fizer publicamente porque há sempre aquele/a que teme que estranhos a ouçam proferir e pensem algo de mal mas, que mal poder ter esta palavra? Eu gosto dela, gosto de a usar, de a estragar, de a mimar...

O amor é um conceito muito incompreendido, acho que sempre foi porque as pessoas definem que falar de amor tem que ser entre casal e, pior, que o casal tem que ser constituídos por dois sexos diferentes. Apesar de ter sido educada com esses valores, há muito que os considerei demasiado descriminatórios e elitistas e, aceito que o amor, memo que seja o amor que arde sem se ver, como dizia Camões, não tem que ser restringido a um homem e uma mulher. Considero que este é o tipo de amor que tem uma outra química que não a amizade, apesar de se misturar por vezes. Neste tipo de amor existe o calor da paixão e, quando esta acaba, ficamos com a certeza que jamais poderia ter sido amizade, visto que esta raramente permanece. Por muita intimidade que haja entre duas pessoas que se amam desta forma, a experiência diz-me que não é possível manter o tal amor/amizade. Há quem tente e quem diga que sim. O que tenho observado até hoje é, que nestes casos onde alguém designa que o que os une é a amizade, revela-se quase sempre que, um dos elementos e normalmente o que aceita contrariado a situação mantém o interesse da química da paixão aceso e, é esta que os mantém juntos até que seque e, neste caso verifica-se a separação definitiva não sobrando seja o que fôr. Infelizmente, por vezes nem o respeito fica para manter a saudável convivência, não existe, ponto assente.
Estamos no século XXI mas tanto preconceito ainda ficou arreigado na nossa sociedade, continua-se a querer esconder o tal parente que se apaixonou por uma pessoa do seu sexo, porque não fica bem. O que ficaria bem seria que as pessoas entendessem que as pessoas em questão já passam por lutas interiores enormes e, não precisam de actos descriminatórios. Muitas pessoas têm-se por liberais e para a frente mas mediante um caso destes preferem calar, ignorar e, até fazer de conta que nunca souberam porque fica feio sequer dizer que se é parente ou amigo de alguém que seja gay. Tão feio e tão mediucramente provinciano mas, quem sou eu para julgar seja o que for, apenas tento perceber o que vai na mente de cada um mas, nem sempre consigo... também tenho os meus limites de percepção... que fazer? Da minha parte só posso entender e estar presente, acarinhar se necessário e, jamais abandonar um amigo por estas veleidades sociais. Estimarei sempre quem me estimar, ignorarei sempre quem não me suportar, ou simplesmente se sentir capacitado para criticismos. Aprendi que devo respeitar quem me respeita, amar quem me ama, e compreender quem me compreende mas, sei que nem sempre é assim e, há razões que a própria razão desconhece. No entanto, tento seguir a minha regra de lealdade, respeito, compreensão... sabendo sempre que a minha liberdade acaba onde começa a dos outros mas, nunca deixando que pisem os meus sentimentos ou julguem mal o que dou. Até hoje nada fiz por um amigo ou amiga que implicasse uma segunda intenção, fosse qual fosse. O que está sempre implícito acho que é o normal em qualquer relação interpessoal, a lealdade, o respeito e a aceitação de tudo o que somos. Será uma utopia minha?! Só sei que nada sei!

O amor mais puro que conheci até hoje, aquele que nada pede em troca, que se dá livre, sem preconceitos, sem querer exigir muito mais mas dando-se naturalmente como se já estivesse implícito é o amor que senti aos primeiros movimentos dos meus filhos. Esse amor, ao princípio fragilijou-me, baralhou, deixou que surgissem incertezas, apesar de nenhuma se relacionar com eles mas, revelou-me muitos caminhos, e a verdade de ser humana. Fortificou depois tudo o que acreditava, tudo o que desejava dentro de mim, abrindo-me horizontes a outras percepções. Este amor é enorme, não conhece fronteiras que não sejam as fronteiras do respeito, tolerância e aceitação. A compreensão das nossas semelhanças e diferenças, o crescimento mútuo que respeita espaços e, reconhece a dimensão de todas as palavras. Sim, ser mãe foi um acto de amor para com a natureza, a criação de tantos caminhos que temos que escolher, foi a decisão mais acertada da minha vida, aquela de que nunca me arrependi e, aquela que me levou a enfrentar quem viesse e o que viesse. O amor mais forte que alguma vez me foi possibilitado experimentar foram na verdade os meus filhos. São os seus abraços que me acalentam nas horas menos doces da minha vida. O brilho dos seus olhos que me dizem para ir mais além e conquistar os meus sonhos.



AS PALAVRAS ESTÃO GASTAS

As palavras estão gastas
De lágrimas e vãs tentativas
Para entender o mundo neste rebuliço,
As palavras estão gastas
De sonhos e falsas verdades
Em ilusórias directivas
De quem conheceu outras liberdades
Mas, bendita seja eu por tudo o que não sei,
Bendita, porque bebo tudo com a intensidade

De quem sabe que há o sol,
Que se estende em asas de saudade
E vem em nome da luz e da vida, sei
Ou não sei o que é inscrito em rol
De palavras vãs e já gastas
De tanto serem empurradas para o castigo
De adornarem interesses e falsidades,
A palavra já está gasta
E, até o sonho que pode ser amigo
Deixa-se correr em cachoeira casta
Dos enganos da publicidade...

Quando menina sonhava com o mar,
Sonhava nas palavras poder rebuscar
Todos os significados da melodia,
Todas as certezas da harmonia,
Na adolescência gritava o sabe-tudo
E deixava correr palavras vãs no rio,
Agora desse tempo me rio
Pois passado tanto tempo já não me iludo,
Só sei que nada sei...
Só sei que nada sei.

Luisa Abreu
17/09/09

segunda-feira, 1 de junho de 2009

MELHOR SEGUIR EM FRENTE...


















MELHOR SEGUIR EM FRENTE...

Há alturas da nossa vida em que o melhor esquecer tudo e seguir em frente. Em que é melhor nem pensar se este ou aquele passo valeu a pena, porque as coisas valem o que valem para cada um de nós. No entanto, é muito triste chegar-se à conclusão de que há pessoas que entram na nossa vida, usam o nosso ombro, usam os nossos olhos como espelhos para se verem melhor, usam as nossas palavras para se encontrarem, usam os nossos abraços para se reconfortarem e depois... depois sentem-se com clareza suficiente de que nas nossas atitudes houve qualquer outra segunda intenção. Não está certo... não é correcto. Apesar de toda a minha experiência de vida e, talvez por isso, sou uma pessoa simples. Não uso subterfúgios para mostrar ou dizer quem sou, não uso quaisquer outras intenções quando escrevo ou digo algo a alguém ou mesmo a mim mesma. As palavras são o que são, significam aquilo que se escreve e se diz não o que os outros pensam que desejamos dizer com elas ou mostrar com elas. Cada um é livre de pensar o que quiser. 

No entanto, não lamento o que já fiz, lamento sempre tudo o que não fiz ou não me dei oportunidade de fazer por esta ou aquela razão. Nem lamento, quando abro a porta da minha vida, do meu peito, dos meus olhos e sentimentos para reconfortar e ajudar alguém a quem mostro na plenitude quem sou... a quem dou horas, dias, anos da minha vida com tudo aquilo que tenho e sinto que pelo menos isso, ajudou. Sim, ajuda sempre quando alguém se entrega com sinceridade mesmo que seja julgada em contrário. É isto que lamento, apesar de já não ter valor. Parece que tem porque o estou a escrever, no entanto, quando passo à fase de escrever ou falar de um assunto que já me magoou é porque é um assunto resolvido... algo que deixou as suas marcas é verdade mas, que já não faz diferença e já não implica com o percurso da minha vida porque todas as ilacções e aprendizagens já foram apreendidas e digeridas, decompostas e jogadas no lixo da vida. Apenas quis aqui registar neste meu simples espaço que o que lamento é perder tempo ou fazerem-me perder tempo... ou mesmo darem-me essa sensação, quando se dirigem a mim após terem tido a oportunidade de me conhecerem na íntegra, de que não sou quem sou ou quem fui. Porque sim, hoje já não sou quem fui. Quem fui acreditava muito mais, expressava-se com muito mais facilidade emotivamente nos sentimentos que tinha pelas pessoas. Mas o que fui, se hoje não sou foi porque algo ou alguém, ou vários motivos foram matando esse meu lado. Tudo o que entreguei sem mistérios nem enredos, acreditando que seria possível acreditar, mesmo no tipo de pessoas que não sabem nem aprendem a confiar, por muito que digam o contrário. Ninguém que faz uma pergunta e recebe uma resposta mas, tem necessidade de reter para si objectos pessoais como telemóveis ou remexer nas carteiras das outras pessoas, pode alegar a qualquer momento que confia. Está a mentir a si própria sem dúvida porque as palavras valem o que valem mas as acções trazem confirmações válidas e concretas. O que realmente lamento é ter sido acusada de ter tido interesses que nunca me passaram pela cabeça e, se acaso tivesse acontecido sei que o teria demonstrado na prática, sei que há sempre espaço e lugar para que se sinta e note que é o que se quer, até porque sempre assumi, tal como hoje, o que quis e quero da minha vida. Com muito mais evidência o que não quero. 

Muitas vezes, julgo que devo dar o benefício da dúvida e, que devo ser eu a enganada, mas, realmente estou a tentar enganar-me ao pensar assim porque não dou atenção à minha intuição que dificilmente me engana. A maioria das vezes que decidi dar esse benefício de dúvida, enganei-me e deixei-me ser enganada por pessoas dispostas a usar essa minha boa fé. É triste chegar a esta conclusão mas, é satisfatória a lição que fica. É duro pensar que não se deve ser autêntica com as pessoas, que se deve temer que nos entendam mal... mas muito mais duro é não dar o que sou e como sou com a espontaneadade com que me conheço, sem subterfúgios ou segundas intenções. Então prefiro continuar a ser, assumidamente quem sou, prefiro deixar que as vozes do vento se tropecem na sua própria língua e, talvez um dia... sim, talvez um dia descubram o inevitável. Talvez descubram que afinal aquelas palavras proferidas pela minha boca significavam apenas o que foi dito. Que aquele abraço dado com franqueza na hora do seu tormento, apenas era o cobertor do conforto que pretendeu aquecer a sua alma e acalmar os seus medos. Nunca lamento ter ajudado alguém, em tempo algum. Por vezes fico triste com o tempo perdido. Fico triste porque chego à conclusão que as pessoas acreditam no que querem acreditar e não na verdade. Que a verdade com que me dou pode muito bem não ser a verdade com que me recebem.

Nestes casos, o melhor é mesmo seguir em frente e colocar um ponto final em tudo o que ficou por dizer ou entender. O melhor é pensar mais em mim, cuidar mais de mim, aprender a proteger-me de quem sente ter o direito de me sugar as energias, os carinhos, as atenções, os abraços para se poder levantar, para se poder entender e encontrar e, depois, achar que tem o direito de dizer que usei uma capa, que tudo o que dei não foi verdadeiro, não foi amizade, não foi um amor abre as portas apenas para apoiar sem quaisquer segundas intenções. Às vezes penso que perco tempo demais a dizer quem sou e o que quero, porque não são essas as palavras que são ouvidas e digeridas mas outras, as que as pessoas querem ouvir e digerir... o que realmente é uma pena. Na minha essência continuo a ser aquela pessoa que não temia chegar a um baile ou a uma discoteca e convidar um rapaz para dançar se assim me apetecesse. Que quando esse pedido era mal entendido, colocava os pontos nos "is" e parava a dança. Tudo isso faz parte dos valores que fui recebendo ao longo da minha vida. Se estou apaixonada, sou mulher para dizê-lo mas é triste que pensem que estou a fazer teatro ou que estou a tentar enganar para tirar quaisquer outros dividendos. Eu sei. Por vezes aparecem pessoas no meio, ou situações que podem fazer com que aquilo que me sai em espontaneadade não seja a verdade, mas caramba, quem me conhece só aceita esses factos se quiser ou, então porque realmente não me conhece e não me tem em conta como tantas vezes apregoa. Ok, fui ou sou muitas vezes um óptimo bote de salvação e, então não como haver alguém que se agarre... mas, furar o bote quando não se precisa dele é degradante e de muito mau gosto. Usar da bondade das pessoas e rotularem-se como otárias é decepcionante. Não acreditar quando digo que tenho também um lado negro é ingenuidade. Porque o tenho, ele é gélido, distante, céptico e indiferente fazendo-me afastar, secretamente, sem quaisquer explicações. Explicar o quê se as pessoas não ouvem? Deixar as portas abertas para quê se as pessoas não confiam? O melhor mesmo nestas situações é bater a porta. Porque hoje fecha-se uma porta e logo se abre outra... os resultados vão mudando segundo as aprendizagens e experiência de vida e então...então não lamento o que ficou para trás e agradeço todas as lições prosseguindo serenamente. Continuo de consciência tranquila perante tudo o que já fui acusada de fazer ou ajudar a fazer porque continuo a saber quem sou e a decidir se mudo ou não o rumo da minha vida, se tenho ou não esta ou aquela experiência. Continuo a ser eu quem decide se deve ou não mergulhar no rio ou no mar, sabendo sempre que tudo o que decidir trará o seu lado negativo e positivo mas será assumidamente a minha decisão. Qual é a dúvida dessa gente afinal? Não há dúvidas, há falta de conhecimento porque a sua preocupação em encontrarem-se e serem reconfortados foi mais importante do que me conhecer tal como me dei ou dou. Até hoje, as minhas atitudes e decisões na vida foram assumidas de cabeça levantada... sem papas na língua, ultrapassando todos os medos e todas as desilusões, vivendo com a intensidade de tudo o que sou e dou. Que não haja dúvidas para ninguém porque se me apetecer dançar, dançarei, seja numa discoteca, num café ou mesmo na rua sem ter problemas se me estão a observar ou o que estarão a pensar. Porque nestes casos até sou quem mais se diverte. Sim eu sei... as pessoas reclamam a verdade, dizem que amam a verdade mas, preferem viver a mentira e ouvir a mentira. Só por isso tudo o que digo não lhes soa a verdade mas, desculpem qualquer coisinha, a minha verdade será sempre a minha verdade assumida em casa, na rua ou no jardim. Quem me conhece sabe isso, quem esteve comigo e não se deu ao trabalho de me conhecer duvida disso... puta que pariu para quem duvida porque nem merece a minha atenção.

Então, é mesmo melhor seguir em frente... em direcção à luz e deixar para trás todas as sombras dos medos que não fazem parte do que sou. Não posso nem devo assumir sombras que nunca foram minhas, às minhas acrescento luz e em direcção a ela sigo calmamente, na minha serenidade de ser quem sou.

p.s. Quem ler este texto... seja lá quem fôr, não o imagine, apenas o leia porque só significa o que está escrito não o que queiram ler... mas ok, exite sempre o livre-arbítrio e então são livres de fazerem o que acharem melhor.

Luisa Abreu
02/05/09

quinta-feira, 30 de abril de 2009

GOODBYE MY LOVER - JAMES BLUNT



Goodbye My Lover


Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bare my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

JAMES BLUNT LYRICS

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Roberto Carlos - Emoções



Roberto Carlos - Emoções

Quando eu estou aqui
Eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você
E as mesmas emoções
Sentindo...

São tantas já vividas
São momentos
Que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui...

Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei
Você me ver chorar sorrindo...

Sei tudo que o amor
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar
Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

São tantas já vividas
São momentos
Que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui...

Mas eu estou aqui
Vivendo esse momento lindo
De frente pra você
E as emoções se repetindo
Em paz com a vida
E o que ela me trás
Na fé que me faz
Otimista demais
Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

Composição: Roberto Carlos e Erasmo Carlos

sábado, 14 de março de 2009

É NORMAL SENTIRMOS CIÚMES?!


















É NORMAL SENTIRMOS CIÚMES?!


Ciúme = Emulação, competição, rivalidade
Despeito invejoso, inveja, receio de perder alguma coisa, cuidado, zelo.

O ciúme é conotado como um sentimento doloroso que aparece devido a exigências emocionais de um amor inquieto, ou seja, o sentimento de posse da pessoa amada... assim como a suspeita ou a certeza da sua infidelidade.

Alguns homens dizem que o ciúme é um sentimento feminino, mentira! O ciúme tal como outros sentimentos ( ou ...ices que há por aí...)
não tem sexo!

Todas as pessoas podem ter este tipo de sentimento dentro de si, por este ou aquela razão, algumas admitem outras não. O ciúme, meus amigos, é um sentimento complexo que pode surgir de uma desconfiança, razão de ser ou outra qualquer insegurança vinda do nosso interior (fosgasse e nem sou nada ciumenta, acreditem), diz-se que é uma combinação de emoções onde se misturam a inveja, seguida de raiva, ódio, pena, autocomiseração, vingança, tristeza, mortificação, culpa, vaidade, inferioridade, orgulho medo e ansiedade. Porra logo vi porque não sou ciumenta.... credo que combinação mais manhosa e negativa!

O importante aqui é dizer, meus amigos, que apesar de tudo, é um sentimento normal, quando não é exacerbado... tão normal como as saudades. Porque ele surge da desconfiança, outro sentimento que não tem sexo, meus queridos! Mas o pior ciúme, é o ciúme sexual, onde o termo de posse pode sentir-se mais forte, infelizmente, apesar de ninguém ser dono de ninguém... Quando vão aprender isso?! É pior sim, é pior porque põe em causa a identidade de quem o sofre... daí os crimes passionais! O ser humano adora complicar! Mas meus amigos, ser traído físicamente pelo companheiro ou companheira activa os sintomas de insegurança, abandono e raiva... Atenção! Se a auto-estima estiver em baixo, então fujaaaaammmm! Porque a pessoa que se sente traída seja de que sexo fôr, crenças religiosas, direcções sexuais, chega a pensar que não deve valer nada... o que pode levar a extremas actitudes.

Vamos lá tentar perceber esta cena dos ciúmes nas mulheres e nos homens para ser mais específica... Já estavam à espera, ACREDITO!
A mulher, quando percebe que o companheiro tem ciúme fica vaidosa porque pensa que é amor e que é isso que a torna importante, desengane-se... vejam só que até pensa que é por isso que é amada... isso não é amor pá, é termo de posse... ego masculino, mulher! Já ouviste falar nisso?! Olha que existe e é lixado quando se pica essa cena. A mulher, quando sente ciúme, a primeira preocupação que tem é afastar a concorrente, olhando-a como perigosa e no seu sentimento que, infelizmente julga nobre, sente que demonstra o seu amor verdadeiro ao companheiro... é mentira mulher, continua a ser sentimento de posse! Depois tem esta merda que me aflige, como é que uma mulher pode culpar a outra mulher de ser perigosa, traidora, manhosa e que se insinua ao homem dela seduzindo-o.... Porra! O marido ou namorado dela é que trai, não a outra... é ele que dorme com ela ou é a outra mulher?! Dahhhhh! ACORDA!!! É verdade elas vêm as coisas desta forma... a verdade é que é um truque antigo já inserido nas mentalidades de outras gerações, uma espécie de herança amaldiçoada para poderem perdoar o homem e, ingenuamente joga a sua hostilidade sobre a outra que julga ser a caçadora o que é realmente uma pena!! Só concordo com este tipo de atitude se acontecer ser uma familiar ou amiga, aí sim, é dupla traição. O que, de forma alguma tira a responsabilidade à pessoa que partilha a sua cama diariamente.

A verdade é que o homem é bem pior!!
O homem nunca confessa!! Raramente o faz porque gosta de dissimular ou dizer que está com mau humor....deve ser difícil falar de sentimentos – a porra da educação que teima em não mudar! Que cena, qual é o mal dos homens confessar que sentem ciumes? Julgam que elas não percebem?? Acordem! Abram os olhos! A verdade é que os tipos acham que se assumirem os seus ciúmes perante ela ficam diminuídos ou inferiorizados, lá se vai a masculinidade... a insegurança para eles é um sentimento com carácter de fragilidade, ao que elevam a um sentimento feminino! Quem vos ensinou essas merdas todas!? Claro que se dizem a um rapaz que isso é feminino ele nunca vai assumir... experimentem dizer às filhas que é um sentimento masculino e verão como vai ser no futuro... troca-se tudo....Quando aprendem que os sentimentos não têm sexo?!? Pois é, minhas amigas, ao contrário das mulheres, os homens jamais vos perdoarão porque quando olham o rival, vêm-no como um ponto mais forte que eles porque os ultrapassou mas, culpam sempre a companheira – aquela putona dissimulada - e será difícil deitarem-se com ela de novo. Então na cabeça deles, a companheira não merece confiança e que irá sempre tentar seduzir algum outro. Numa coisa estão os dois de acordo infelizmente... ambos assumem que a mulher, neste jogo da traição/sedução tem uma posição activa, e o homem uma posição passiva.... coitadinho!!! É daí que surgem os esterótipos de que a mulher é sem escrúpulos, ardilosa e indigna de confiança por isso perigosa! Grandes sepos... a cena tá toda trocada estes são estereótipos adoptados pela sociedade. não têm sexo... seduz quem quer seduzir, é seduzido quem quer ser seduzido... não tenham dúvidas!

Segundo alguns psicólogos... é aqui é que ganho esta merda e já sei porque não sou ciumenta, porque nunca tive ciúmes dos meus irmãos! É verdade há uma quantidade de estudiosos que defendem que esta insegurança já vem de berço. Porra e quem não teve berço?! (risos)
A verdade é que eles dizem que o factos de os putos... em feminino não vale;P... sentirem que devem agarrar as mães para não perderem o lugar... outra vez a merda do termo de posse, sendo esta o objecto do seu amor e, quando ocupada por outro irmão instiga o sentimento de abandono, ansiedade e perda.

Digamos que o ciúme é um sentimento que governa através da incapacidade de amar devido a uma ambivalência profunda que aparece nas pessoas que instituem relações objectais. E a verdade é que, sempre que este sentimento toma actitudes extras em doses demasiado elevadas... onde algumas pessoas até são capazes de cometer crimes passionais, é de uma infelicidade incrível. Porque, quanto a mim este é um triste sentimento que só nos pode causar problemas.

Proponho-vos algo diferente:
que tal se em vez de ciúmes tentarmos fazer realçar o melhor de nós?! Difícil? Difícil mas, jamais, impossível! Em vez de perdermos tempo a culpar outras mulheres ou as próprias, no caso dos homens, que tal estimularmos a relação - e o ciúme por incrível que pareça não é unico dos casais, vive-se também nas amizades e outras relações familiares e interpessoais, infelizmente - que tal nos debruçarmos sobre a dedicação, o apoio humano, diálogo e desejo de renovação, respeito, companheirismo e presença?! Para que qualquer relação interpessoal presista intacta precisa de todos estes sentimentos renovados e alimentados não de sentimentos destrutivos que podem corroer a relação. Há que renovar diariamente meus amigos e minhas amigas... nada de pôr as culpas nos outros! Todos somos responsáveis pela vida, dois não fazem se um não quiser, caso contrário é violação de direitos! Toca a assumir um papel que deva contemplar a presença, nos bons e maus momentos! Está bem, já sei que esta merda é mais fácil dizer que fazer mas, podemos sempre tentar! Deixem lá o termo de posse na casa da mãezinha, ela é a única pessoa, assim como o pai, claro, que pode dizer que nos tem para sempre e, olhe lá.

Ciumentos e ciumentas do nosso País e arredores, se querem ultrapassar este sentimento tão negativo dentro de vós a alternativa que vos deixo é de que devem prevenir o ciúme, não se esqueçam, prevenir, não alimentar! E como, dirão vocês?! Pois bem, a melhor maneira de o prevenir é tornarem-se numa pessoa única e irrepreensível... deve ser difícil, não?! Acreditem que não é. Sejam autênticos e aprendam nas vossas diferenças a renovar a vossa vida sem culpas, sem medos, sem inventarem motivos comodistas para se manterem de cabeça enfiada na areia.
Dêem espaço, confiem e tornem-se confiantes. Resistam à obssessão da possessão, libertem-se! Aceitem o facto de poder haver quem amem que não vos ame e deixem essa pessoa ser feliz para que vocês mesmo possam encontrar a vossa sem culpas! Se forem correspondidos no amor, dêem tudo o que tiverem, se acharem que vale a pena e tornem-se presentes nas vidas de quem vos é querido... um simples bilhete deixado de manhã, um carinho... não é difícil e, façam-me um favor, SEJAM FELIZES!!!

Luisa Abreu
23/02/09

sábado, 7 de fevereiro de 2009

ESTADOS DE ALMA






ESTADOS DE ALMA

O dia acordou sereno e a sua paz entrava pela minha janela, como um longo raio de luz. Cá dentro fazia uma enorme tempestade. No meu horizonte os mares bramiam de raiva e dor, as ondas navegavam atormentadas por pensamentos doentios, não de inveja, não de falta de amor mas, apenas um vazio. O vazio que se instalou por momentos quando, pior do que qualquer sentimento, o vento sopra um gemido de hipocrisia. Hoje, apetece-me sair. Abraçar a serenidade do dia. Apetece-me dirigir até ao mar e esperar que as gaivotas algo de novo me digam. Um estado de alma? Uma divagação ou apenas a constatação de que o tempo já não sabe gritar a dor? Não! Apenas uma vontade de dizer basta! Basta! Basta de usarem a minha boa vontade! Basta de me gritarem palavras gastas e vazias que para mim nada de novo trazem... BASTA!

Como tudo na vida, há uma razão para que o dia comece desta forma. Não sei! Sinto o peito cheio de lágrimas prontas a
sair sem controlo. Nem sei porquê, ou talvez até saiba. Estou farta das pessoas que me dizem, constantemente, que adoram a minha boa onda. Estou farta que aproveitem as minhas ondas calmas e serenas para despejarem o lixo quando acabam de comer. Estou farta que sujem a minha areia limpa e fresca com pedaços de palavras pretas e inconcretas das suas incertezas. E porquê? Porque estarei eu farta, se normalmente dou os meus braços para abraçar a dor de quem amo? Porque estou farta, se sou eu quem se disponibiliza para proteger e afagar a cor do desespero de quem precisa? É simples! É muito, muito simples! O mesmo tipo de pessoas que se aproximam, quase em silêncio, pensam que me estudam, que me conhecem... pensam que sou óptima para soltar os seus bramidos e afagar os seus olhares desvanecidos... esse mesmo tipo de pessoas esquece-se que também sou uma pessoa. Que também tenho os meus dias cinza, que precisam ser pincelados de cor e compreensão. Que também precisam de um abraço de quando em vez e de uma atenção. Mas, é essa gente que se diz companheira e que estará aqui sempre que precise e queira que, me manda calar a dor... que me aconselha a fugir da má onda. Como se fosse de uma má onda se não se poder gritar ao vento a razão porque me roubam as minhas cores? E eu sou o quê? Sou ferro? Sou alegoria de uma qualquer imaginação? NÃO! Claro que não! Eu sou gente... sim, sei que o mundo não gira à minha volta mas, só posso falar do que sinto ou do que já vivi. Só posso dar exemplos ou conselhos sobre tudo o que já senti e escolhi. Sou gente e estou consciente... consciente de que necessito de viajar noutros barcos mais generosos, menos egoístas e caprichosos que apenas reconhecem o seu vapor. Sou gente sim. Sou uma pessoa simples, com gostos simples e desejos como outra qualquer... sou uma pessoa com defeitos e virtudes mas, que merece receber o mesmo apoio e atenção que dá, senão de que vale a entrega? De que vale partilhar, se só posso partilhar boas ondas, boas energias? O que é partilhar se as pessoas jogam o lixo que as incomoda em mim mas partem quando o meu caixote está cheio? Como o posso despejar? Com quem o posso despejar, se olho e já ninguém me quer ouvir?

Bom, nesta loucura de pensamentos levantei-me e deixei-me relaxar num banho quente e demorado, onde nem o pensamento consegue estar acordado. Vesti-me. Peguei na chaves do carro e voei. Fui em direcção a nada, pensava eu. O carro levou-me dali até à praia. Joguei o meu corpo cansado na areia e fiquei a escutar aquela música infinita do mar... doce e cheia de
nuances diferentes. Ali me deixei ficar até acalmar a tempestade que se fazia em meu peito.

Horas depois senti-me purificada... limpa de todos os porquês. Limpa de toda a lixeira que se instalara em mim. As lágrimas secaram em mim porque dançaram de felicidade até à água e, pé-ante-pé lá foram juntar-se ao sal das suas amigas que se pavoneavam para cá e para lá com a areia. Suspirei fundo! Abri o meu peito já vazio de dor mas pleno de esperança. As cores serenas do céu entraram em mim. Senti-me bem! Já era eu de novo!

Decidi então sair dali e dar uma volta ao longo da praia. Os meus pés descalços agradeciam o contacto com a areia e, de quando em vez, encontravam uma ou outra concha que trazia consigo uma história. Todas elas eram diferentes. Todas elas tinham linhas diferentes mas, todas tinham vivido em conjunto no mar, partilhando a vida, os embaraços e até a morte. Agora estavam na minha mão com tanto para me contar. Li os seus segredos com o toque dos meus dedos e adivinhei um pouco a sua sorte. Não era difícil. Eram elas quem me transmitiam os seus sons, as suas cores. Eram elas que compunham a sinfonia da sua vida e a mim bastava-me saber ouvir. Gostei do que ouvi, do que senti.

As horas foram-se passando. Resolvi aproveitar o ar daquele lugar. Estava ausente de mim. De repente! De repente algo me acordou! Olhei em frente e vi alguém que me observava. Vinha do mar... uns olhos grandes e azuis que brilhavam como estrelas sorriam para mim. Fiquei apática, incrédula com tanta beleza que lhe vinha da alma. As ondas do mar trouxeram-no até mim. Perguntou-me se se poderia sentar-se a meu lado. Olhei-o mas penso que o meu olhar disse que sim porque logo o vi levantar-se. Parecia-me uma visão de sonho. Parecia algo planeado para um cinema... não queria acreditar no que vira. Perguntou-me porque estava ali, quando já nem era verão. Falei-lhe no meu acordar tempestuoso e ele ouviu-me com atenção. Perguntou-me se queria andar um pouco e,
levantámo-nos os dois. Seguimos o curso da praia e conversamos como há muito não fazia com alguém. Perguntei-lhe quem era de onde vinha. Porque se aproximara de mim. Ele perguntou-me porque o vi se raramente o viam com o olhar que eu o senti. Disse-lhe que não sabia... que talvez fosse o meu estado de espírito que o trouxesse. Sorrindo ele disse-me que era real e que gostava de ir ao mar fora de época. Sorrimo-nos os dois. Gostava de lhe perguntar o nome mas resolvi que seria melhor ficar assim... apenas um encontro onde dois desconhecidos descontraíram e falaram de tudo o que mais gostavam.

PASSS! AH!? Que se passara? ... Não sei! Só sei que acordei caída no chão. Caí da cama...bolas! Estava a sonhar...ahhahahahaha! Depois de uma valente gargalhada reparei que tinha estado a sonhar. Mas que sonho! Que coisa sem pés nem cabeça! Talvez fosse... ou talvez não. Não me quis alongar no pensamento. Preferi ficar a sornar um pouco por ali. Ainda tinha vontade de dormir mas, logo depois tocou o malfadado despertador. Mais um dia começava a chamar-me para a vida. Um som ruidoso e feio entrava-me pela janela... era o jardineiro a cortar a relva... como eu detestava aquele som pela manhã. Mas sorri. Sorri por tudo o que pensara estar a viver e que afinal era um sonho... ainda bem, dizia parte de mim. Pelo menos dentro de mim não havia tempestade alguma, apenas uma serenidade com cheiro a maresia. O dia estava um pouco sombrio e frio. E como eu detestava o frio! Não porque gostasse de calor em excesso mas... uma temperatura amena seria bem melhor. Não me apetecia largar os cobertores ali sim... ali estava quentinho. Tinha que ser, o dia esperava por mim delirante para me ver viver.

Dirigi-me onde me dirigia normalmente. Fui trabalhar. Entrei e
comprimentei toda a gente como já era normal. Recebi algumas respostas sinceras e outras hipócritas como já era normal. Sentei-me em frente ao computador, liguei-o. Entretanto estava a trautear uma música que tinha ouvido e, alguém se apressou a ligar o rádio. Olhei mostrando que tinha percebido a mensagem e, de retorno um sorriso amarelo recebi. Não era importante, estava indiferente a este tipo de falso companheirismo. De repente o telefone tocou. Atendi. Era um convite para o café. Boa! Pensei eu. Poderia brincar um pouco num local mais arejado e despido de preconceitos e ideias pré-concebidas que se bebia um pouco por ali... dentro do gabinete.

Ups! O tempo voou! Tudo o que é bom voa depressa, pensamos sempre nestas ocasiões. Não, o dia tinha voado mesmo. Hás vezes tenho a sensação que voa todos os dias um pouco mais apressado. Era tempo de sair, ligar o carro e partir. De repente olhei o céu. Delirei! Os meus olhos ficaram colados naquela doce fantasia dançante entre cores mescladas de melodia. Agarrei a minha máquina fotográfica e saí do carro. Dirigi-me para o miradouro e comecei a fotografar... escolher ângulos, adivinhar formas. Eram momentos que me enchiam de felicidade e me faziam viajar para longe da realidade. Não, aquela era mesmo a minha realidade. Sentei-me à beira rio e deixei-me absorver pela sua frescura e paz. Tudo era cor, tudo era vida em meu redor.

O telemóvel tocou. Sorri... já cá faltava um telefonema para me fazer voltar. Primeiro ouvi um pouco da música e, depois então atendi:
- Sim?! Estou!? - falei com vontade que me dissessem ser apenas um engano. Não. Não era um engano. Era muito melhor. Era uma surpresa vinda de longe. Um amigo que não ouvia há muito. Conversamos, rimos... entre parvoíces e brincadeiras sadias, dissemos algumas verdades interessantes. Combinamos um encontro para o dia seguinte. Desliguei o telemóvel. Já não queria atender mais ninguém, apenas ficar ali e deixar-me ir no curso do rio. Pensar na minha vida, nas decisões que teria que tomar. Na minha vontade de mudar algo, sem saber bem ainda o que seria. Apeteciam-me coisas novas, outros horizontes. De repente! Atrás de mim. Ouvi uma confusão. Eram gritos e sons que eu não entendia então, virei-me para observar. Que estranho! Havia uma grande confusão no jardim. De onde estava não conseguia ver nada, pois como sempre lá estava a presença incessante daqueles que nada têm para fazer ou dizer que não seja serem mirones. Porque haveria este tipo de gente? Que em vez de se aproximar para poder ajudar, apenas cercavam o ambiente como uma plateia
sedenta de sangue. Que coisa horrível! Detesto este tipo de gente que se abeira das coisas, da situação como se bebesse tudo o que observava, pávida e serena como se estivessem num filme. Nem num filme consigo ser assim... claro que não sou so centro do mundo, diria-me alguém naquele momento. Sou apenas a pessoa que está a expor a situação e a dizer como sinto tais atitudes. Aproximei-me e pensei... espero não ser nada de grave. Eram duas pessoas que se desentenderam e estavam a bater-se como se fossem crianças magoadas sem saber dialogar sobre os seus sentimentos. Havia raiva e dor nos seus olhos. Não vos vou dizer se eram um casal, se eram irmãos ou se homens ou mulheres... nada disso interessa. O que interessa é que alguém deveria intervir e separar aquelas pessoas. Fazê-las dialogar se possível ou, então, apenas deixar passar o tempo... às vezes o tempo resolve tudo. Olhei em volta. Realmente! Era angustiante os olhares espectantes daqueles que observavam como se fossem verdadeiros vampiros deliciados a beberem de tanta confusão e caos. Tentei perceber o que se passava. Não era possível. Era uma acção demasiado violenta, demasiado confusa para poder incluir-me nela. Telefonei à polícia... pouco me importava se iriam agir ou não mas agi eu conforme achei importante na altura. Abandonei o local porque em nada poderia ajudar. Eram dois adultos que tinham obrigação de ter aprendido a resolver as questões sem violência. A violência é gratuita e dá-me voltas ao estómago. Sim... Claro que poderia sempre tentar algo... mas o quê? Defender quem se nem sabia ao certo o que se passava? Separar como se os vampiros observadores nem me deixavam passar, como se adivinhassem que poderia fazer algo para lhes acabar com o espectáculo. Mais à frente pus-me a pensar. Como é que nós, seres humanos, nos podemos perder tantas vezes? Como podemos deixar que a irracionalidade que tanto se diz desprezar ou ter piedade, tome conta das nossa acções? Não seria melhor dar um murro na parede e sair? Deixar que a dor se desvaneça para que a voz possa sair? Não será melhor dar um pontapé numa cadeira ou outro objecto e deixar que a cabeça esfrie? Não! Há pessoas que adoram demonstrar que têm poder, nem que seja pela força. Um poder fraco quanto a mim. A violência é algo tão animalesco, tão sem fundamento que dirigida a outra pessoa é uma perda total de razão. São as palavras que podem levar ao entendimento. São as palavras que podem fazer resolver algo... o soco apenas descarrega de um lado e carrega do outro. A violência abre fossos difíceis de serem contornados e resolvidos depois. A violência perde sempre a razão, logo não vence nada... perde tudo!

Não sei se a polícia chegou a ir ao local. Já não estava com paciência para estar ali e fui-me embora. Apeteceu-me voltar para o meu
recôndido lar. Apeteceu-me continuar a minha paz interior e voltar ao meu mundo. Entrei, matei a minha sede. Abri uma coca-cola e resolvi pintar. Olhei para a tela branca, à minha frente. Ela parecia querer dizer-me coisas mas não estava disposta a ouvir. Agarrei as tintas. Olhei os pincéis mas não me apetecia usá-los. Sorri... meti a mão nas tintas e fui deixando que elas se desembaraçassem. Deixei-as livres num calcorrear de horas de indecisão, sentimentos, emoções, traços certos ou incertos. Larquei para lá tudo o que me preenchera naquele dia. Era um misto de loucura e paixão a forma como as minhas mãos se moviam... uma sinfonia plástica de dor e alegria, onde a paz interior servia de fundo. De repente! Uma das mãos ficou mais violenta e parecia querer dar um basta em alguma coisa, ou perante algum olhar. Mas, estava só... seria o meu olhar que a s incomodava? Resolvi colocar uma venda nos olhos e, numa outra tela deixei-as desbravar caminho. Quando acabei... fiquei assim... espectante. Não sabia o que pensar ou sentir. Apenas sorri. Algo me agradava mas, havia também algo que me desagradava. Deixei as telas falarem por si. Resolvi que iriam secar e, depois, mais ausente daquele dia eu iria contemplá-las e então sim... então tiraria uma ilacção uma conclusão de tudo. Afastei-me e fechei a porta abrindo apenas a janela para que as tintas secassem na tela. Voltei-me para outro tempo, outro espaço. Resolvi ligar o computador e escrever. Uma vez mais, os meus dedos cavalgavam incessantes como cavalos selvagens. Não os conseguia parar ou demover a escrever algo mais certinho, mais arrumado, algo que fosse uma história com princípio meio e fim para que as pessoas entendessem. Eles queriam lá saber! Estavam apenas a soltar-se a tirar de dentro o que lhes apetecia, sem regras nem pensamentos, sem direcção ou objectivos. Apenas pensei que talvez fosse mais um papel para rasgar e deitar fora. Mas eles ouviram, eles perceberam o que ia em mim e corriam ainda mais velozes sobre o teclado, tentando mostrar-me outros horizontes, outras cores que ainda não vira. Algo que talvez não tenha parado para pensar. Não sei! Sinceramente não sei! Sei que revoltada por não me ouvirem desliguei o computador abruptamente. Sem lhes dar qualquer hipóteses de explicação. Passei à folha branca e, quis apenas fazer uns traços a carvão. Tentei, tentei... juro que tentei mas não entendi. Eles largaram traços misteriosos, sombras, espaços em branco e, larguei tudo. Liguei a aparelhagem e cantei, espalhei a minha voz pelo quarteirão e, ela parecia ser dona de mim. Não a conseguia baixar de tom. Cantava, cantava, não a controlava apesar de ser parte de mim. Desliguei tudo e fui para a banheira acabar o dia com uma banhoca relaxante. Depois passei para o meu cadeirão de massagens e lá me abandonei. Só ele conseguiu controlar a minha energia. Só ele relaxou a minha fantasia e então adormeci. Adormeci nos seus braços que me massajavam e deliciavam. Deixei-me abandonada, entre a música e o seu toque mágico. E enquanto acabava o dia envolvida num adormecer, quase paradisíaco pensava que há dias assim... há dias em que apenas vale a pena ser... há dias em que apenas basta deixar voar o estado de alma. Sim, foram realidades mas também foram estados de alma que esvoaçaram na loucura dos meus dedos que apenas obedeciam a um sistema que há muito é parte de mim.

Luisa Abreu
08/09/09