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sábado, 26 de setembro de 2009

REVOLTAR-SE, MUDAR OU APENAS ACEITAR?


REVOLTAR-SE, MUDAR OU APENAS ACEITAR?
(a escolha é sempre nossa...)

Às vezes é preciso força e coragem para se gerar dentro de nós uma grande revolta,
um "BASTA!" , um " JÁ CHEGA" e, uma vontade de seguir em frente e encontrarmo-nos
com o que de melhor temos em nós e arriscarmos a mudança. Às vezes é necessário
ter serenidade suficiente para aceitarmos o que não podemos mudar e, deixarmos
que a corrente tudo leve e nos apazigue. Também é preciso ter sabedoria para perceber
a diferença entre uma situação e outra, entre as diferenças... entre os espaços...
entre o que as palavras dizem e os olhos reclamam. Mas, para termos noção de tudo isso
não podemos deixar de aceitar o que somos e ouvir a nossa voz interior. Na nossa vida
só podemos dar o nosso melhor e, por isso sentirmo-nos tranquilos, sem qualquer culpa
se alguém muda a sua direcção e, ela já não corresponde ao nosso caminho. As injustiças
magoam quando sabemos que estamos a tentar dar o nosso melhor mas, se pensarmos
que não poderemos agradar os outros da mesma forma que queremos, é preciso saber
aceitar essas diferenças e prosseguir sem culpas sentidas. Na vida existem inesperados,
injustiças, ingratidão, pessoas que nos usam quando necessitam e nos largam quando
não somos necessários mas, não tem que, necessariamente ser nossa responsabilidade.
As pessoas são diferentes e, fazem as suas espectativas, conforme o que almejam da sua vida.
Por vezes é bom confiar no fluxo do universo e deixar ir, ter consciência que não sabemos tudo
e, ainda há tanto para aprender e descobrir. É bom sabermos retirar na hora certa para reflectir
sobre tudo com serenidade e, acreditar que tudo tem a sua razão de ser, nada é por acaso.

Claro que não devemos menosprezar os nossos sentimentos, sejam eles quais forem mas
devemo-nos afastar um pouco deles e, não agir enquanto dominados pelo sentimento, porque
o que sair pode não ser o mais indicado na altura. O melhor mesmo é desabafar para um papel
e queimá-lo depois, esmurrar uma fronha, cantar. dançar, ou fazer desporto para que tudo
se desvaneça e, a cabeça possa tudo racionalizar da melhor forma. É negativo para nós próprios
deixamo-nos banhar de sentimentos negativos... eles enfraquecem-nos, adoecem-nos,
apodrecem-nos por dentro, o melhor é lavar a alma numa actividade que nos dê prazer ou,
simplesmente tomar um longo banho de emersão e deixar relaxar a vida.
Uma coisa devemos ter como certo dentro de nós... tudo o que é para nós os ratos não roem,
passe o tempo que passar e, a partir daí, passemos a viver a vida da melhor forma e a dar
o melhor de nós. Viver só é complicado quando nós assim desejamos porque a vida é fácil
mas o ser humano adora complicar. Manter dentro de nós sentimentos e pensamentos que
nos magoam é uma fraude contra nós mesmo. Ter muita fé para continuar em frente e acreditar
na sua própria Luz. É preciso serenidade para aceitar o que não se pode mudar, tal como
é preciso ter força e determinação para mudarmos tudo o que pudermos mudar na nossa vida
e, alguma sabedoria para perceber as diferenças, respeitá-las e, seguir em frente. Muitas vezes
optamos, nos momentos mais cruciais da nossa vida, por decisões incorrectas, levados
por uma motivação que não a nossa mas momentâneas ou baseadas em incertezas.
As escolhas todos nós temos de as fazer, como fazer as mais acertadas é que é mais difícil,
no entanto, se nos retirarmos na altura certa e digerirmos ou canalizarmos as frustrações
para outro lado, onde não nos magoemos nem magoemos outras pessoas mas, possamos
entender tudo dando uma certa distância, sem que se tenha de agir apressadamente.
Devemos aprender a dizer sim a tudo o que nos beneficia e nos ilumina ou apazigua o nosso
caminho e, não ao que nos entristece, ao que possa alimentar más energias, ao que poderá
ser uma cartada de dificuldades, distinguindo sempre a ilusão da realidade em cada situação.
É muito bom estarmos abertos à ponderação interior, ao precisar de reflectir tudo o que somos
e queremos, sem deixar que as azáfamas da vida nos corroa por dentro. Há queijo para todos
e, todos nós temos obrigação de tudo fazermos para encontrar a nossa parte, sem deixamo-nos
derrotar pelo inesperado menos desejado. Temos uma vida para viver e, somos responsável por
ela nos bons e nos maus momentos. Navegar no mar que é a vida é uma grande aventura e,
é necessário ter muita coragem diáriamente para saber colmatar os ventos e as tempestades,
aproveitando os momentos brandos para nos darmos ao prazer de aprender a sermos felizes.
Cada um de nós é responsável pela sua própria vida e, não a devemos deixar afundar em vão.
Surgem sempre problemas inesperados, más surpresas e depois? O mundo não acaba e tudo
o que não nos mata fortalece e prepara-nos para a grande caminhada que é a vida. Face
aos problemas, cada um de nós tem a possibilidade de recorrer aos seus talentos e pontes
fortes para fazer com que a sua vida prossiga, amando tudo o que é, sem culpas. Por vezes
barramo-nos com situações desanimadoras, é verdade, forças que nos empurram para baixo
e, parecem querer-nos engulir mas, é nossa obrigação afastamo-nos e não nos deixarmos
enganar pelo ilusório e os "ses" da vida. A nossa vida deve ser o foco mais importante da nossa
existência e, não devemos deixar afundá-la por respeito a tudo o que somos. Sim, é preciso
ter coragem para se debater todos os pontos, tentar entender, GRITAR, CONTRAPÔR,
SOLTAR AS AMARGURAS mas, com serenidade lembrarmo-nos de tudo o que somos
e queremos. Revoltar, mudar, ou apenas aceitar?... Cada um deve decidir o que é melhor
para si.

Luísa Abreu
26/09/09

segunda-feira, 1 de junho de 2009

MELHOR SEGUIR EM FRENTE...


















MELHOR SEGUIR EM FRENTE...

Há alturas da nossa vida em que o melhor esquecer tudo e seguir em frente. Em que é melhor nem pensar se este ou aquele passo valeu a pena, porque as coisas valem o que valem para cada um de nós. No entanto, é muito triste chegar-se à conclusão de que há pessoas que entram na nossa vida, usam o nosso ombro, usam os nossos olhos como espelhos para se verem melhor, usam as nossas palavras para se encontrarem, usam os nossos abraços para se reconfortarem e depois... depois sentem-se com clareza suficiente de que nas nossas atitudes houve qualquer outra segunda intenção. Não está certo... não é correcto. Apesar de toda a minha experiência de vida e, talvez por isso, sou uma pessoa simples. Não uso subterfúgios para mostrar ou dizer quem sou, não uso quaisquer outras intenções quando escrevo ou digo algo a alguém ou mesmo a mim mesma. As palavras são o que são, significam aquilo que se escreve e se diz não o que os outros pensam que desejamos dizer com elas ou mostrar com elas. Cada um é livre de pensar o que quiser. 

No entanto, não lamento o que já fiz, lamento sempre tudo o que não fiz ou não me dei oportunidade de fazer por esta ou aquela razão. Nem lamento, quando abro a porta da minha vida, do meu peito, dos meus olhos e sentimentos para reconfortar e ajudar alguém a quem mostro na plenitude quem sou... a quem dou horas, dias, anos da minha vida com tudo aquilo que tenho e sinto que pelo menos isso, ajudou. Sim, ajuda sempre quando alguém se entrega com sinceridade mesmo que seja julgada em contrário. É isto que lamento, apesar de já não ter valor. Parece que tem porque o estou a escrever, no entanto, quando passo à fase de escrever ou falar de um assunto que já me magoou é porque é um assunto resolvido... algo que deixou as suas marcas é verdade mas, que já não faz diferença e já não implica com o percurso da minha vida porque todas as ilacções e aprendizagens já foram apreendidas e digeridas, decompostas e jogadas no lixo da vida. Apenas quis aqui registar neste meu simples espaço que o que lamento é perder tempo ou fazerem-me perder tempo... ou mesmo darem-me essa sensação, quando se dirigem a mim após terem tido a oportunidade de me conhecerem na íntegra, de que não sou quem sou ou quem fui. Porque sim, hoje já não sou quem fui. Quem fui acreditava muito mais, expressava-se com muito mais facilidade emotivamente nos sentimentos que tinha pelas pessoas. Mas o que fui, se hoje não sou foi porque algo ou alguém, ou vários motivos foram matando esse meu lado. Tudo o que entreguei sem mistérios nem enredos, acreditando que seria possível acreditar, mesmo no tipo de pessoas que não sabem nem aprendem a confiar, por muito que digam o contrário. Ninguém que faz uma pergunta e recebe uma resposta mas, tem necessidade de reter para si objectos pessoais como telemóveis ou remexer nas carteiras das outras pessoas, pode alegar a qualquer momento que confia. Está a mentir a si própria sem dúvida porque as palavras valem o que valem mas as acções trazem confirmações válidas e concretas. O que realmente lamento é ter sido acusada de ter tido interesses que nunca me passaram pela cabeça e, se acaso tivesse acontecido sei que o teria demonstrado na prática, sei que há sempre espaço e lugar para que se sinta e note que é o que se quer, até porque sempre assumi, tal como hoje, o que quis e quero da minha vida. Com muito mais evidência o que não quero. 

Muitas vezes, julgo que devo dar o benefício da dúvida e, que devo ser eu a enganada, mas, realmente estou a tentar enganar-me ao pensar assim porque não dou atenção à minha intuição que dificilmente me engana. A maioria das vezes que decidi dar esse benefício de dúvida, enganei-me e deixei-me ser enganada por pessoas dispostas a usar essa minha boa fé. É triste chegar a esta conclusão mas, é satisfatória a lição que fica. É duro pensar que não se deve ser autêntica com as pessoas, que se deve temer que nos entendam mal... mas muito mais duro é não dar o que sou e como sou com a espontaneadade com que me conheço, sem subterfúgios ou segundas intenções. Então prefiro continuar a ser, assumidamente quem sou, prefiro deixar que as vozes do vento se tropecem na sua própria língua e, talvez um dia... sim, talvez um dia descubram o inevitável. Talvez descubram que afinal aquelas palavras proferidas pela minha boca significavam apenas o que foi dito. Que aquele abraço dado com franqueza na hora do seu tormento, apenas era o cobertor do conforto que pretendeu aquecer a sua alma e acalmar os seus medos. Nunca lamento ter ajudado alguém, em tempo algum. Por vezes fico triste com o tempo perdido. Fico triste porque chego à conclusão que as pessoas acreditam no que querem acreditar e não na verdade. Que a verdade com que me dou pode muito bem não ser a verdade com que me recebem.

Nestes casos, o melhor é mesmo seguir em frente e colocar um ponto final em tudo o que ficou por dizer ou entender. O melhor é pensar mais em mim, cuidar mais de mim, aprender a proteger-me de quem sente ter o direito de me sugar as energias, os carinhos, as atenções, os abraços para se poder levantar, para se poder entender e encontrar e, depois, achar que tem o direito de dizer que usei uma capa, que tudo o que dei não foi verdadeiro, não foi amizade, não foi um amor abre as portas apenas para apoiar sem quaisquer segundas intenções. Às vezes penso que perco tempo demais a dizer quem sou e o que quero, porque não são essas as palavras que são ouvidas e digeridas mas outras, as que as pessoas querem ouvir e digerir... o que realmente é uma pena. Na minha essência continuo a ser aquela pessoa que não temia chegar a um baile ou a uma discoteca e convidar um rapaz para dançar se assim me apetecesse. Que quando esse pedido era mal entendido, colocava os pontos nos "is" e parava a dança. Tudo isso faz parte dos valores que fui recebendo ao longo da minha vida. Se estou apaixonada, sou mulher para dizê-lo mas é triste que pensem que estou a fazer teatro ou que estou a tentar enganar para tirar quaisquer outros dividendos. Eu sei. Por vezes aparecem pessoas no meio, ou situações que podem fazer com que aquilo que me sai em espontaneadade não seja a verdade, mas caramba, quem me conhece só aceita esses factos se quiser ou, então porque realmente não me conhece e não me tem em conta como tantas vezes apregoa. Ok, fui ou sou muitas vezes um óptimo bote de salvação e, então não como haver alguém que se agarre... mas, furar o bote quando não se precisa dele é degradante e de muito mau gosto. Usar da bondade das pessoas e rotularem-se como otárias é decepcionante. Não acreditar quando digo que tenho também um lado negro é ingenuidade. Porque o tenho, ele é gélido, distante, céptico e indiferente fazendo-me afastar, secretamente, sem quaisquer explicações. Explicar o quê se as pessoas não ouvem? Deixar as portas abertas para quê se as pessoas não confiam? O melhor mesmo nestas situações é bater a porta. Porque hoje fecha-se uma porta e logo se abre outra... os resultados vão mudando segundo as aprendizagens e experiência de vida e então...então não lamento o que ficou para trás e agradeço todas as lições prosseguindo serenamente. Continuo de consciência tranquila perante tudo o que já fui acusada de fazer ou ajudar a fazer porque continuo a saber quem sou e a decidir se mudo ou não o rumo da minha vida, se tenho ou não esta ou aquela experiência. Continuo a ser eu quem decide se deve ou não mergulhar no rio ou no mar, sabendo sempre que tudo o que decidir trará o seu lado negativo e positivo mas será assumidamente a minha decisão. Qual é a dúvida dessa gente afinal? Não há dúvidas, há falta de conhecimento porque a sua preocupação em encontrarem-se e serem reconfortados foi mais importante do que me conhecer tal como me dei ou dou. Até hoje, as minhas atitudes e decisões na vida foram assumidas de cabeça levantada... sem papas na língua, ultrapassando todos os medos e todas as desilusões, vivendo com a intensidade de tudo o que sou e dou. Que não haja dúvidas para ninguém porque se me apetecer dançar, dançarei, seja numa discoteca, num café ou mesmo na rua sem ter problemas se me estão a observar ou o que estarão a pensar. Porque nestes casos até sou quem mais se diverte. Sim eu sei... as pessoas reclamam a verdade, dizem que amam a verdade mas, preferem viver a mentira e ouvir a mentira. Só por isso tudo o que digo não lhes soa a verdade mas, desculpem qualquer coisinha, a minha verdade será sempre a minha verdade assumida em casa, na rua ou no jardim. Quem me conhece sabe isso, quem esteve comigo e não se deu ao trabalho de me conhecer duvida disso... puta que pariu para quem duvida porque nem merece a minha atenção.

Então, é mesmo melhor seguir em frente... em direcção à luz e deixar para trás todas as sombras dos medos que não fazem parte do que sou. Não posso nem devo assumir sombras que nunca foram minhas, às minhas acrescento luz e em direcção a ela sigo calmamente, na minha serenidade de ser quem sou.

p.s. Quem ler este texto... seja lá quem fôr, não o imagine, apenas o leia porque só significa o que está escrito não o que queiram ler... mas ok, exite sempre o livre-arbítrio e então são livres de fazerem o que acharem melhor.

Luisa Abreu
02/05/09

domingo, 17 de maio de 2009

É PRECISO ACREDITAR!...


É PRECISO ACREDITAR!

Desde muito pequena, quando pretendia atingir ou conseguir concretizar algo na minha vida, 
fosse o que fosse e, mediante o meu percurso de vida, ia fazendo, â mão, os meus separadores 
para me ajudarem na leitura dos livros que tanto gostava de apostar em algumas horas. 
Vou-vos deixar algumas delas: Aos sete anos, quando começou a minha grande loucura 
pela leitura e pelos livros, cortei uma espécie de régua numa cartolina e, com caneta de filtro 
escrevi - Ler é Aprender, Aprender é Crescer - mais à frente e, numa fase menos boa da minha 
vida, por razões que agora já são indiferentes escrevi uma frase que me acompanhava também 
as leituras e as horas de estudos - o meu subconsciente é um depósito de memória 
e a inteligência do meu subconsciente absorve tudo o que é necessário para que ultrapasse 
todos os obstáculos. O amor, a paz, a abundância e a riqueza são coisas que me pertencem. 
E assim ajudava a passar os meus dias menos favoráveis e a alimentar a minha sede 
de aprender, ler e crescer como ser humano que sou. Outras mais, acompanharam 
os meus dias e, era assim que eu conseguia recolher as forças necessárias esgotadas naqueles 
momentos por várias razões, ora vindas de fora, ora fazendo mesmo parte das minhas dúvidas 
e crises existenciais.

Tudo isto para vos dizer que, ao descobrir este vídeo fiquei felicíssima pela força que move 
este homem e por, mais uma vez, sentir que muitas vezes só não realizamos o que 
não queremos mesmo que tenhamos que conhecer adversidades nas nossas vidas. 
Claro está que é preferível não as conhecer ou ter mas, no caso, deixo-vos um vídeo que me 
emocionou pela força deste ser humano que tanto nos ensina. A necessidade obriga e é verdade, 
porque muitos de nós só exploramos o nosso melhor potencial quando nos vemos necessitados 
de tal ou, quando levamos um empurrão do universo.

Luisa Abreu
17/05/09

P.S. Lamento o facto do texto nem sempre aparecer bem repartivo ou formatado mas, o facto é--me desconhecido 
e, até o poder resolver, talvez a sua aparência não seja a mais agradável. Obrigada pela atenção.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

SÓ ESPERO...


Filme realizado por Cláudia Casella
http://www.claudiacasella.blog.br/
O AMOR TEM DESTAS COISAS E, A MELANCOLIA TAMBÉM AJUDA A CRIAR...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Roberto Carlos - Emoções



Roberto Carlos - Emoções

Quando eu estou aqui
Eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você
E as mesmas emoções
Sentindo...

São tantas já vividas
São momentos
Que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui...

Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei
Você me ver chorar sorrindo...

Sei tudo que o amor
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar
Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

São tantas já vividas
São momentos
Que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui...

Mas eu estou aqui
Vivendo esse momento lindo
De frente pra você
E as emoções se repetindo
Em paz com a vida
E o que ela me trás
Na fé que me faz
Otimista demais
Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

Composição: Roberto Carlos e Erasmo Carlos

quarta-feira, 15 de abril de 2009

ZEITGEIST - OFFICIAL RELEASE 


NOVA TOMADA DE CONSCIÊNCIA?... 

Mais uma vez não me nego a parar, reflectir, entender a engrenagem social, como sempre o fiz na vida. Muito do que se relata neste vídeo, já muita gente dirá que não é de todo desconhecido, Claro que não. Muitos casos de interesses e poderes são atirados para os tribunais como "bode espiatório" escondendo, contudo outros mais avolumados que vão seguindo impunemente e com um à vontade que nem se imagina. Não se deixem nunca enganar... todos os negócios feitos têm interesses sociais e de poder - o que realmente é uma pena. 

A parte da bíblia é um pouco hilariante. Digo hilariante porque sempre me indaguei sobre alguns factores e, agradeço ter tido uma educação virada para a religião mas, onde sempre fui livre de a escolher ou não. Escolhi-a porque sempre me senti confortável para o fazer e, felizmente aprendi o suficiente para que não acolhesse todas as letras como uma tábua rasa. Sempre coloquei questões em tudo tornando-me por vezes "persona non grata" - coisa que fui-me habituando a ser ao longo da minha vida. Por vezes seria bem mais fácil aceitar as lavagens cerebrais que a nossa sociedade sempre nos impõe mas, o caminho mais fácil nem sempre nos leva a bom porto. 

É interessante pararmos para pensar porque tanta gente foi decapitada ao longo da nossa existência humana. Porque as leis foram mudando e as religiões de acordo com o percurso de vida nas sociedades. Porque se acusaram tantas pessoas inocentes para que o povo se distraísse e deixasse passar impune os verdadeiros causadores das discórdias.

- Quem não sabe que as guerras alimentaram muitos "gulosos do Poder"?
- Quem não sabe que o Poder é uma só palavra que alberga imensos interesses, seja a nível religioso, financeiro ou social?
- Quem nunca soube que tem voz para expressar o que incomoda o Poder? Porque se alimenta os ais desse mesmo Poder?
- Quem não sabe ou não sente que geralmente a televisão é uma fonte de ideias feitas ou, que serve para nos tentar mostrar o que interessa ser mostrado, apenas?

Tantos "quem e porquê" poderia levantar aqui... poderiamos todos, afinal. No entanto, muitos são os que se acomodam na sua bela cadeira e deixam as horas passarem. Poucos são os que se levantam e vão levando machadadas até desistirem... porque entretanto há sempre quem divida para poder reinar. Às vezes penso: porque será que o povo esquece-se que em massa vota mas, em massa também pode mudar algo neste mundo? Como resposta obtenho o silêncio. Ou apenas umas vozes irritantes a mandarem calar o meu pensamento por não ser oportuno. Tenho FÉ, sim... mas não nas instituições humanas... acho que já me roubaram essa fé. Ainda acredito ser possível olhar o ser humano e ter orgulho de o ser e poder gritar alto que mereço melhor. No entanto, muitas vezes dou por mim a desistir aos poucos... tento não esvair-me ou deixar-me morrer... tento deixar a minha voz acessa. É cada vez mais difícil... começo a perder as forças ou a ver-me forçada a parar uns tempos para retemperar esta minha vontade de seguir em frente. Já estou habituada a olharem-me como alguém diferente, a apontarem a minha vontade de ser como imprópria. Não me faz diferença isso. Já não me incomoda. Só me incomodaria se isso me obrigasse a deixar de ser eu própria.

Todos os temas aqui delineados são revoltantes e ultrajantes para a raça humana. No entanto, tento manter um médio plano. Questionar, entender, receber, ver e tentar construir algo, mesmo no meio de tanta destruição. Mais que não seja, tentar lançar a semente de nova consciência e, sem querer castrar, fazer com haja sempre quem olhe e oiça, sem deixar de pensar e questionar sempre, por si mesmo. Mas esta é a história da humanidade e, por isso existem muitas formas de atrair e cativar que não me impressionam. Há quem se agarre ao espiritualismo, outros às religiões, outros às políticas. Qualquer destes "clubes" usam a chamada lavagem cerebral... o que os torna decepcionantes para quem quer mais.

Penso que todos têm a consciência de que todos os que tiveram a coragem e ousadia de mostrar as coisas tal como são, foram de certo modo, colocados à parte ou enterrados em mentiras. Mas a maioria prefere ficar calada. Por muito que se grite e diga ou se sinta que é necessário mudar, existem sempre os que preferem assistir sentados no seu cómodo egoísmo e deixar que outros o façam para que possam depois usufruir, se possível. Todas as mudanças efectuadas nas sociedades mundiais até agora, se bem analisadas, efectuaram-se porque serviu bem quem estava no Poder ou o ambicionava. Temos muitos factores relevantes descritos ao longo da nossa história. Basta saber ser e ponderar para que tudo se clarifique. 

Luisa Abreu


sábado, 7 de fevereiro de 2009

ESTADOS DE ALMA






ESTADOS DE ALMA

O dia acordou sereno e a sua paz entrava pela minha janela, como um longo raio de luz. Cá dentro fazia uma enorme tempestade. No meu horizonte os mares bramiam de raiva e dor, as ondas navegavam atormentadas por pensamentos doentios, não de inveja, não de falta de amor mas, apenas um vazio. O vazio que se instalou por momentos quando, pior do que qualquer sentimento, o vento sopra um gemido de hipocrisia. Hoje, apetece-me sair. Abraçar a serenidade do dia. Apetece-me dirigir até ao mar e esperar que as gaivotas algo de novo me digam. Um estado de alma? Uma divagação ou apenas a constatação de que o tempo já não sabe gritar a dor? Não! Apenas uma vontade de dizer basta! Basta! Basta de usarem a minha boa vontade! Basta de me gritarem palavras gastas e vazias que para mim nada de novo trazem... BASTA!

Como tudo na vida, há uma razão para que o dia comece desta forma. Não sei! Sinto o peito cheio de lágrimas prontas a
sair sem controlo. Nem sei porquê, ou talvez até saiba. Estou farta das pessoas que me dizem, constantemente, que adoram a minha boa onda. Estou farta que aproveitem as minhas ondas calmas e serenas para despejarem o lixo quando acabam de comer. Estou farta que sujem a minha areia limpa e fresca com pedaços de palavras pretas e inconcretas das suas incertezas. E porquê? Porque estarei eu farta, se normalmente dou os meus braços para abraçar a dor de quem amo? Porque estou farta, se sou eu quem se disponibiliza para proteger e afagar a cor do desespero de quem precisa? É simples! É muito, muito simples! O mesmo tipo de pessoas que se aproximam, quase em silêncio, pensam que me estudam, que me conhecem... pensam que sou óptima para soltar os seus bramidos e afagar os seus olhares desvanecidos... esse mesmo tipo de pessoas esquece-se que também sou uma pessoa. Que também tenho os meus dias cinza, que precisam ser pincelados de cor e compreensão. Que também precisam de um abraço de quando em vez e de uma atenção. Mas, é essa gente que se diz companheira e que estará aqui sempre que precise e queira que, me manda calar a dor... que me aconselha a fugir da má onda. Como se fosse de uma má onda se não se poder gritar ao vento a razão porque me roubam as minhas cores? E eu sou o quê? Sou ferro? Sou alegoria de uma qualquer imaginação? NÃO! Claro que não! Eu sou gente... sim, sei que o mundo não gira à minha volta mas, só posso falar do que sinto ou do que já vivi. Só posso dar exemplos ou conselhos sobre tudo o que já senti e escolhi. Sou gente e estou consciente... consciente de que necessito de viajar noutros barcos mais generosos, menos egoístas e caprichosos que apenas reconhecem o seu vapor. Sou gente sim. Sou uma pessoa simples, com gostos simples e desejos como outra qualquer... sou uma pessoa com defeitos e virtudes mas, que merece receber o mesmo apoio e atenção que dá, senão de que vale a entrega? De que vale partilhar, se só posso partilhar boas ondas, boas energias? O que é partilhar se as pessoas jogam o lixo que as incomoda em mim mas partem quando o meu caixote está cheio? Como o posso despejar? Com quem o posso despejar, se olho e já ninguém me quer ouvir?

Bom, nesta loucura de pensamentos levantei-me e deixei-me relaxar num banho quente e demorado, onde nem o pensamento consegue estar acordado. Vesti-me. Peguei na chaves do carro e voei. Fui em direcção a nada, pensava eu. O carro levou-me dali até à praia. Joguei o meu corpo cansado na areia e fiquei a escutar aquela música infinita do mar... doce e cheia de
nuances diferentes. Ali me deixei ficar até acalmar a tempestade que se fazia em meu peito.

Horas depois senti-me purificada... limpa de todos os porquês. Limpa de toda a lixeira que se instalara em mim. As lágrimas secaram em mim porque dançaram de felicidade até à água e, pé-ante-pé lá foram juntar-se ao sal das suas amigas que se pavoneavam para cá e para lá com a areia. Suspirei fundo! Abri o meu peito já vazio de dor mas pleno de esperança. As cores serenas do céu entraram em mim. Senti-me bem! Já era eu de novo!

Decidi então sair dali e dar uma volta ao longo da praia. Os meus pés descalços agradeciam o contacto com a areia e, de quando em vez, encontravam uma ou outra concha que trazia consigo uma história. Todas elas eram diferentes. Todas elas tinham linhas diferentes mas, todas tinham vivido em conjunto no mar, partilhando a vida, os embaraços e até a morte. Agora estavam na minha mão com tanto para me contar. Li os seus segredos com o toque dos meus dedos e adivinhei um pouco a sua sorte. Não era difícil. Eram elas quem me transmitiam os seus sons, as suas cores. Eram elas que compunham a sinfonia da sua vida e a mim bastava-me saber ouvir. Gostei do que ouvi, do que senti.

As horas foram-se passando. Resolvi aproveitar o ar daquele lugar. Estava ausente de mim. De repente! De repente algo me acordou! Olhei em frente e vi alguém que me observava. Vinha do mar... uns olhos grandes e azuis que brilhavam como estrelas sorriam para mim. Fiquei apática, incrédula com tanta beleza que lhe vinha da alma. As ondas do mar trouxeram-no até mim. Perguntou-me se se poderia sentar-se a meu lado. Olhei-o mas penso que o meu olhar disse que sim porque logo o vi levantar-se. Parecia-me uma visão de sonho. Parecia algo planeado para um cinema... não queria acreditar no que vira. Perguntou-me porque estava ali, quando já nem era verão. Falei-lhe no meu acordar tempestuoso e ele ouviu-me com atenção. Perguntou-me se queria andar um pouco e,
levantámo-nos os dois. Seguimos o curso da praia e conversamos como há muito não fazia com alguém. Perguntei-lhe quem era de onde vinha. Porque se aproximara de mim. Ele perguntou-me porque o vi se raramente o viam com o olhar que eu o senti. Disse-lhe que não sabia... que talvez fosse o meu estado de espírito que o trouxesse. Sorrindo ele disse-me que era real e que gostava de ir ao mar fora de época. Sorrimo-nos os dois. Gostava de lhe perguntar o nome mas resolvi que seria melhor ficar assim... apenas um encontro onde dois desconhecidos descontraíram e falaram de tudo o que mais gostavam.

PASSS! AH!? Que se passara? ... Não sei! Só sei que acordei caída no chão. Caí da cama...bolas! Estava a sonhar...ahhahahahaha! Depois de uma valente gargalhada reparei que tinha estado a sonhar. Mas que sonho! Que coisa sem pés nem cabeça! Talvez fosse... ou talvez não. Não me quis alongar no pensamento. Preferi ficar a sornar um pouco por ali. Ainda tinha vontade de dormir mas, logo depois tocou o malfadado despertador. Mais um dia começava a chamar-me para a vida. Um som ruidoso e feio entrava-me pela janela... era o jardineiro a cortar a relva... como eu detestava aquele som pela manhã. Mas sorri. Sorri por tudo o que pensara estar a viver e que afinal era um sonho... ainda bem, dizia parte de mim. Pelo menos dentro de mim não havia tempestade alguma, apenas uma serenidade com cheiro a maresia. O dia estava um pouco sombrio e frio. E como eu detestava o frio! Não porque gostasse de calor em excesso mas... uma temperatura amena seria bem melhor. Não me apetecia largar os cobertores ali sim... ali estava quentinho. Tinha que ser, o dia esperava por mim delirante para me ver viver.

Dirigi-me onde me dirigia normalmente. Fui trabalhar. Entrei e
comprimentei toda a gente como já era normal. Recebi algumas respostas sinceras e outras hipócritas como já era normal. Sentei-me em frente ao computador, liguei-o. Entretanto estava a trautear uma música que tinha ouvido e, alguém se apressou a ligar o rádio. Olhei mostrando que tinha percebido a mensagem e, de retorno um sorriso amarelo recebi. Não era importante, estava indiferente a este tipo de falso companheirismo. De repente o telefone tocou. Atendi. Era um convite para o café. Boa! Pensei eu. Poderia brincar um pouco num local mais arejado e despido de preconceitos e ideias pré-concebidas que se bebia um pouco por ali... dentro do gabinete.

Ups! O tempo voou! Tudo o que é bom voa depressa, pensamos sempre nestas ocasiões. Não, o dia tinha voado mesmo. Hás vezes tenho a sensação que voa todos os dias um pouco mais apressado. Era tempo de sair, ligar o carro e partir. De repente olhei o céu. Delirei! Os meus olhos ficaram colados naquela doce fantasia dançante entre cores mescladas de melodia. Agarrei a minha máquina fotográfica e saí do carro. Dirigi-me para o miradouro e comecei a fotografar... escolher ângulos, adivinhar formas. Eram momentos que me enchiam de felicidade e me faziam viajar para longe da realidade. Não, aquela era mesmo a minha realidade. Sentei-me à beira rio e deixei-me absorver pela sua frescura e paz. Tudo era cor, tudo era vida em meu redor.

O telemóvel tocou. Sorri... já cá faltava um telefonema para me fazer voltar. Primeiro ouvi um pouco da música e, depois então atendi:
- Sim?! Estou!? - falei com vontade que me dissessem ser apenas um engano. Não. Não era um engano. Era muito melhor. Era uma surpresa vinda de longe. Um amigo que não ouvia há muito. Conversamos, rimos... entre parvoíces e brincadeiras sadias, dissemos algumas verdades interessantes. Combinamos um encontro para o dia seguinte. Desliguei o telemóvel. Já não queria atender mais ninguém, apenas ficar ali e deixar-me ir no curso do rio. Pensar na minha vida, nas decisões que teria que tomar. Na minha vontade de mudar algo, sem saber bem ainda o que seria. Apeteciam-me coisas novas, outros horizontes. De repente! Atrás de mim. Ouvi uma confusão. Eram gritos e sons que eu não entendia então, virei-me para observar. Que estranho! Havia uma grande confusão no jardim. De onde estava não conseguia ver nada, pois como sempre lá estava a presença incessante daqueles que nada têm para fazer ou dizer que não seja serem mirones. Porque haveria este tipo de gente? Que em vez de se aproximar para poder ajudar, apenas cercavam o ambiente como uma plateia
sedenta de sangue. Que coisa horrível! Detesto este tipo de gente que se abeira das coisas, da situação como se bebesse tudo o que observava, pávida e serena como se estivessem num filme. Nem num filme consigo ser assim... claro que não sou so centro do mundo, diria-me alguém naquele momento. Sou apenas a pessoa que está a expor a situação e a dizer como sinto tais atitudes. Aproximei-me e pensei... espero não ser nada de grave. Eram duas pessoas que se desentenderam e estavam a bater-se como se fossem crianças magoadas sem saber dialogar sobre os seus sentimentos. Havia raiva e dor nos seus olhos. Não vos vou dizer se eram um casal, se eram irmãos ou se homens ou mulheres... nada disso interessa. O que interessa é que alguém deveria intervir e separar aquelas pessoas. Fazê-las dialogar se possível ou, então, apenas deixar passar o tempo... às vezes o tempo resolve tudo. Olhei em volta. Realmente! Era angustiante os olhares espectantes daqueles que observavam como se fossem verdadeiros vampiros deliciados a beberem de tanta confusão e caos. Tentei perceber o que se passava. Não era possível. Era uma acção demasiado violenta, demasiado confusa para poder incluir-me nela. Telefonei à polícia... pouco me importava se iriam agir ou não mas agi eu conforme achei importante na altura. Abandonei o local porque em nada poderia ajudar. Eram dois adultos que tinham obrigação de ter aprendido a resolver as questões sem violência. A violência é gratuita e dá-me voltas ao estómago. Sim... Claro que poderia sempre tentar algo... mas o quê? Defender quem se nem sabia ao certo o que se passava? Separar como se os vampiros observadores nem me deixavam passar, como se adivinhassem que poderia fazer algo para lhes acabar com o espectáculo. Mais à frente pus-me a pensar. Como é que nós, seres humanos, nos podemos perder tantas vezes? Como podemos deixar que a irracionalidade que tanto se diz desprezar ou ter piedade, tome conta das nossa acções? Não seria melhor dar um murro na parede e sair? Deixar que a dor se desvaneça para que a voz possa sair? Não será melhor dar um pontapé numa cadeira ou outro objecto e deixar que a cabeça esfrie? Não! Há pessoas que adoram demonstrar que têm poder, nem que seja pela força. Um poder fraco quanto a mim. A violência é algo tão animalesco, tão sem fundamento que dirigida a outra pessoa é uma perda total de razão. São as palavras que podem levar ao entendimento. São as palavras que podem fazer resolver algo... o soco apenas descarrega de um lado e carrega do outro. A violência abre fossos difíceis de serem contornados e resolvidos depois. A violência perde sempre a razão, logo não vence nada... perde tudo!

Não sei se a polícia chegou a ir ao local. Já não estava com paciência para estar ali e fui-me embora. Apeteceu-me voltar para o meu
recôndido lar. Apeteceu-me continuar a minha paz interior e voltar ao meu mundo. Entrei, matei a minha sede. Abri uma coca-cola e resolvi pintar. Olhei para a tela branca, à minha frente. Ela parecia querer dizer-me coisas mas não estava disposta a ouvir. Agarrei as tintas. Olhei os pincéis mas não me apetecia usá-los. Sorri... meti a mão nas tintas e fui deixando que elas se desembaraçassem. Deixei-as livres num calcorrear de horas de indecisão, sentimentos, emoções, traços certos ou incertos. Larquei para lá tudo o que me preenchera naquele dia. Era um misto de loucura e paixão a forma como as minhas mãos se moviam... uma sinfonia plástica de dor e alegria, onde a paz interior servia de fundo. De repente! Uma das mãos ficou mais violenta e parecia querer dar um basta em alguma coisa, ou perante algum olhar. Mas, estava só... seria o meu olhar que a s incomodava? Resolvi colocar uma venda nos olhos e, numa outra tela deixei-as desbravar caminho. Quando acabei... fiquei assim... espectante. Não sabia o que pensar ou sentir. Apenas sorri. Algo me agradava mas, havia também algo que me desagradava. Deixei as telas falarem por si. Resolvi que iriam secar e, depois, mais ausente daquele dia eu iria contemplá-las e então sim... então tiraria uma ilacção uma conclusão de tudo. Afastei-me e fechei a porta abrindo apenas a janela para que as tintas secassem na tela. Voltei-me para outro tempo, outro espaço. Resolvi ligar o computador e escrever. Uma vez mais, os meus dedos cavalgavam incessantes como cavalos selvagens. Não os conseguia parar ou demover a escrever algo mais certinho, mais arrumado, algo que fosse uma história com princípio meio e fim para que as pessoas entendessem. Eles queriam lá saber! Estavam apenas a soltar-se a tirar de dentro o que lhes apetecia, sem regras nem pensamentos, sem direcção ou objectivos. Apenas pensei que talvez fosse mais um papel para rasgar e deitar fora. Mas eles ouviram, eles perceberam o que ia em mim e corriam ainda mais velozes sobre o teclado, tentando mostrar-me outros horizontes, outras cores que ainda não vira. Algo que talvez não tenha parado para pensar. Não sei! Sinceramente não sei! Sei que revoltada por não me ouvirem desliguei o computador abruptamente. Sem lhes dar qualquer hipóteses de explicação. Passei à folha branca e, quis apenas fazer uns traços a carvão. Tentei, tentei... juro que tentei mas não entendi. Eles largaram traços misteriosos, sombras, espaços em branco e, larguei tudo. Liguei a aparelhagem e cantei, espalhei a minha voz pelo quarteirão e, ela parecia ser dona de mim. Não a conseguia baixar de tom. Cantava, cantava, não a controlava apesar de ser parte de mim. Desliguei tudo e fui para a banheira acabar o dia com uma banhoca relaxante. Depois passei para o meu cadeirão de massagens e lá me abandonei. Só ele conseguiu controlar a minha energia. Só ele relaxou a minha fantasia e então adormeci. Adormeci nos seus braços que me massajavam e deliciavam. Deixei-me abandonada, entre a música e o seu toque mágico. E enquanto acabava o dia envolvida num adormecer, quase paradisíaco pensava que há dias assim... há dias em que apenas vale a pena ser... há dias em que apenas basta deixar voar o estado de alma. Sim, foram realidades mas também foram estados de alma que esvoaçaram na loucura dos meus dedos que apenas obedeciam a um sistema que há muito é parte de mim.

Luisa Abreu
08/09/09