Mostrando postagens com marcador guerras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerras. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

WE ARE THE WORLD


http://www.youtube.com/watch?v=xQOeDYDOCKc&feature=player_embedded

(Um vídeo que me fez rir e sentir ternura)



Para que o próximo ano não nos deixe esquecer as lições dadas neste ano. Para que cresçamos com o sabor dos elos, das pontes, que se fazem de todos os géneros e gostos mas que marcam épocas, encontros e desencontros mas, especialmente lições que nos chegam numa lágrima ou através de um abraço quente do olhar mais distraído.

Para que a vida se continue a fazer com esperança, apesar de todos os confrontos e desencontros, de todos os inquientantes momentos que nos fazem sentir menos ou mais motivados para prosseguir. Para que nunca esqueçamos que apesar dos anos que passam e dos que chegam, o mundo somos todos nós nas nossas diferenças e igualdades. Que o mundo é feito de defeitos e virtudes, de imperfeições que se tentam aperceiçoar dia-a-dia e crescer com um sorriso que vai crescendo nos passos dos nossos filhos, na partilha e na comunhão da solidariedade.

Para que esse mundo saiba crescer com todas as partes que dele fazem parte e nunca se esqueça dos colos da sua infância, das partidas dos irmãos(ãs), das letras que se refrescam em cada ano escolar, dos porquês que nos invadem cada vez que damos um passo em frente. Para que os medos não nos acorrentem mais do que o tempo do porquê e, para que se chegue sempre à vontade de seguir e colocar em prática tudo o que aprendemos.

Seremos sempre um mundo que grita e se revolta perante injustiças e desigualdades. Seremos sempre um mundo com capacidade de ser solidário por boas causas. Seremos sempre um mundo que quer acreditar que é possível. Seremos sempre o colo de outros mundos que são particulas do mundo que somos de cada vez que nos levantamos para enfrentar a batalha do dia-a-dia e incitar a que seja possível evoluir. Seremos sempre um mundo onde apesar de tantas revoltas e injustiças, se levantará a voz da revolta e do desejo de endireitar o que nos parece fora do caminho.

Luisa Abreu 29/12/2010

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

PARA QUE SERVEM OS JOGOS DE PODER?


Quem souber que responda... este vídeo é para ver e pensar profundamente na direcção que o mundo está a tomar.




atchimmmmmmm!.....


domingo, 8 de novembro de 2009

OS POUPADINHOS DA EUROPA




OS POUPADINHOS DA EUROPA

Cá estou de novo com os meus textos de indignação – já vocês se julgavam livres destas coisas não é? Pena, só lê quem quer... e a mais não é obrigado – De facto, comecei a escrever ontem mas a internet fechou e, como sinto que tudo o que vem, a mal ou a bem, tem uma razão de ser, resignei-me e desisti de o fazer. No entanto, resolvi que hoje, com a cabeça mais fria e o peito mais distante destes assuntos problemáticos do nosso país – sim, já reparei que as notas são estrangeiras mas pá, somos “cidadães do mundo não é assim?” , uma parvoíce à parte para uma conversa que ouvi no telejornal. E o que fui fazer. Claro que os meus habitués leitores vão dizer:
- Mas que manganona e ela que sempre disse que não gosta de ver televisão. É verdade amigos, tenham calma, não gosto mesmo mas, há dias em que tem que ser ou apetece, sei lá bem...
Na verdade, estava eu à conversa com uma amiga que me dizia estar a ver os Ídolos e que estava distraída, sim que as parvoíces também distraem. Como os meus textos (risos). Então peguei no meu portátil e lá fui até à sala ver do que se tratava porque também me farto de estar na net ou, simplesmente ultimamente não tenho tido paciência devido ao corre-corre diário dos afazeres da vida rotineira que muitos de nós, apesar de não gostarmos, temos. Bom, assim que liguei o canal, percebi logo porque continuo a não gostar de ver televisão mas, ri-me... sim, que me desculpem os corajosos que lá vão soltar a voz e, desde já os meus parabéns também porque jamais o faria. Não tenho nem voz, nem carisma para ídolo. Prefiro continuar a brincar nos karaokes ou a soltar-me na minha casa de banho, assim, tenho a desculpa de estar entre amigos a curtir sons que se soltam do peito e nos limpam as mazelas e, na segunda hipótese só chateio o vizinho (risos).

Não foi, de todo, este programa o que mais me indignou, pelo contrário, ri-me que fartei. De tanto fartar resolvi mudar de canal e, depois de brincar ao zapping, que também normalmente detesto fazer mas na altura estava a ser engraçado, parei no telejornal de um outro canal que me vez soltar outros risos. Mais sarcásticos, mais estranhos talvez. Fiquei parva com a grande notícia da noite. Depois de tanto se falar em crise pelas ruas e cintos apertados e tal... vim a saber que é tudo uma grande mentira do povo. Ah! Pois é! Temos um povo mentiroso e poupadinho. Então não é que a locutora disse seriamente olhando para mim – mas aposto que ela estava danadinha para se rir da própria notícia. Disse-me a íris da própria que a não deixou enganar-me: - Os portugueses estão cada vez mais poupados, apesar do Estado gastar mais. - Bom, confesso que ao princípio a segunda parte ficou um pouco longe da minha gargalhada. Tentei imaginar os portugueses os mais poupadinhos da Europa, visto que, segundo a notícia eramos um dos povos mais gastadores, será?... E lembrei-me da Martinha pela rua a fotografar os poupadinhos e nós a pensarmos que eram apenas gente sem recursos financeiros. Andará a Martinha enganada? – Com todo o respeito por ti e pelo teu trabalho amiga que parece que há quem ande a gozar com ele, não concordas comigo? – E pensei... CARAMBA! Afinal andamos todos enganados, a crise que já vem da época do Salazar para cá, não é crise, são precalços do tempo. Alguns abanos de terra, tufões e arrebites do tempo. O povo português é um guloso que só quer gastar e lamentar-se, gritar aos sete ventos que anda sempre em crise. Gente descontrolada é o que é! Como já vi em alguns jornais nas colunas de opinião, a opinarem sobre a actual crise.
Pronto amigos, entrei eu em crise da cabeça aos pés só de me lembrar que tenho amigos com que me dizem ter dívidas, o carro para mandar arranjar, a casa para pagar, o ordenado que não chega, etc, e tal... serão todos mentirosos ou apenas poupadinhos? Eu mesma senti-me mais aliviada porque tenho sentido os reflexos da crise e a tentar puxar de um lado ou de outro para manter a gestão económica da família no caminho certo para poder dar-me ao luxo de me soltar de quando em vez e agarrar-me à cauda de um avião para ir à terra – caraças, ultimamente não tem passado aviões aqui perto de casa – e afinal ando a mentir-me a mim própria só para poder fazer umas poupanças bancárias (risos). Resolvi procurar nas gavetas e nada de papéis a comprovar essas poupanças tão proclamadas naquele écran milagroso que me fez sentir mais leve. Depois pensei, bom acho que são afinal os amigalhaços que andam a gozar com a minha cara quando dizem que não podem ir a tal sítio porque não há dinheiro pa gasolina ou porque o dinheiro do ordenado não chegou porque o desgraçado do patrão diz que anda em crise. Como é que sabendo o que sei que se passa a nível geral posso imaginar os portugueses a poupar cada vez mais. Melhor... como posso imaginar que os reformados andam a investir nos depósitos a prazo? Os meus neurónios já andavam a ficar fundidos de tanto pensar. Sabem como é... sou teimosa... presistente, chamem o que quiserem mas, se há coisas que não gosto é de me sentir enganada e foi quando resolvi começar a escrever mas algo fez a internet fechar porque o telejornal ainda não tinha terminado e, lá resolvi ver e ouvir o resto. No entanto, a poupança não me saía da cabeça quando... finalmente soou-me de longe o resto da frase “... e o Estado anda a gastar mais. Mas tem que aprender com o povo a saber poupar.” Ficou mesmo tudo estragado e dei um salto no sofá. FÓNIX! Como é que pode ser? Então quem anda a fazer tantas poupanças para dar de gastar ao Estado desta forma? Acho que vou aproveitar o Halloween e levar isto numa brincadeira assustadora do noticiário. Ri-me, disse atrocidades, falei com o meu gato, cantei, falei com a Márcia que entretanto se tinha ausentado a pensar nas suas poupanças. – se leste isto deves estar doida de risos... desculpa amiga, ter-te usado desta maneira. Mas, lembrei-me também das minhas poupanças e fiquei revoltada... ora bolas! Mas continuo eu a saber de que poupanças estariam eles a falar... ou gozam comigo ou a malta que anda na rua com um ar esfarrapado, anda a fazer poupanças para um futuro que não consigo imaginar qual, e resolveu dar uma “frescura” na sua rotina e passear por aí a contemplar o País. É pá deviam de andar todos de máquina na mão, talvez fosse mais interessante. Disse isto porque me lembrei de ler algures que o nosso ilustre António Cardoso disse que o fotógrafo é um vadio. – Isto sem desprimor para o fotógrafo em questão e, apenas usando uma achega metafórica – Pois, se calhar é isso... são todos fotógrafos e os gajos do Estado andam a chamá-los vadios e querem é colocá-los em local apropriado para que lhes encham os bolsos com os impostos. Não há volta a dar a não ser que a malta toda tenha família na Inglaterra a ganhar o guito todo e a mandar para o pessoal colocar na poupança, anda aí muita informação escondida. Se a rainha sabe disso manda deportar todos os portugueses (risos).
Sabem do que me deu vontade? De meter-me em Belém... sim, a culpa deste pensamento foi de um comentário do amigo (risos)... porque lá é que se gasta bem e afinal os economistas andam todos cá fora. Que fazem estes especialistas fora dos seus postos? Ora que vão lá ensinar o Estado a poupar pá que nós já estamos fartos de tantas poupanças. Eu gosto de viver o presente. Claro que penso no futuro para amanhã não cair num abismo porque sei que o futuro chegará e depois será presente e cá andamos nesta roda viva recordado depois o que já é passado. Ai que já me troquei todinha...lolol. Comecei a fazer contas para ver... pois só nos cartazes para as eleições é um balúrdio, metade para os bolsos nem sei de que poupanças... depois os gastos dos pneus, arranjos de carros em desgaste pelo país – sim que isto de fazer “apresentações públicas” e promessas a tanta gente dá muitos gastos, fora depois as viagens que são obrigados a fazer em nome da diplomacia e da boa vizinhança. É pá... temos mesmo que poupar para que aquela gente nos possa representar bem lá fora. Mas depois pensei:
-Puxa! Como podem representar-nos bem, sabendo que houve tanta abstenção? Ah! Claro, isto é como no futebol, o que interessa é ganhar e, é sempre bom deixar a abstenção descansadinha e poupá-la para outras eleições caso seja necessário. Bom, sendo assim, temos muito poupadinhos mesmo que deixam alguns gastadores decidirem o futuro do país... afinal sabem lá se amanhã irão cá estar? Depois revoltei-me comigo própria... sim... porque faço parte dos poupadinhos... pá não me abstenho de muita coisa na vida mas como posso eu abster-me de levar os meus putos à Disney para que o Estado possa gastar mais? Fogo! Tenho mesmo que averiguar se tenho dinheiro no banco e tirá-lo todo... se é que já não mo tiraram (galhofada da grossa).

Com os fusíveis em ebulição lá resolvi ir descontrair para a net e fui ouvir umas coisitas no “utubias” como lhe chamo na brincadeira e todos já sabem o que é de certeza. Pois é. Dei comigo envergonhada com uma atitude que lá tive há uns tempos atrás. Infelizmente, em vez de descontrair, sem querer accionei um vídeo onde a Maité Proença fazia umas graçolas sobre Portugal e os portugueses e, li a minha resposta de indignação. Foi tamanha a vergonha que já o esqueci mas, não me esqueço de referir o caso. Sim, Maité é uma atriz que aquando da minha adolescência gostava muito de ver actuar, entre outros que me faziam passar algumas horas em que não sabia bem o que fazer ou, teria que esperar os amigos para sair. Tempos idos mas muito bonitos. Por respeito a esses tempos vou continuar a escrever... já não me lembro muito bem o teor da minha indignação no momento, sei que foi sentida e revelou alguma mácula do meu orgulho em ser portuguesa. Hoje reli, alguns e senti uma tristeza. Pois é amigos, podem bater-me achincalhar-me, fazerem o que quiserem mas não era caso para dizer a maioria das coisas que li em tantos comentários revoltosos. Na verdade, mostramos mesmo que somos portugueses e que temos muito carinho pela actriz em questão ou, caso contrário, nem lhe teriamos dado qualquer palavrita no “utubias” ou seja onde fosse. A pobre da rapariga bebeu um “binhinho do Puorto” a mais e comeu uns pasteizinhos de Belém à conta das nossas poupanças e pá lá deixou sair o oposto do que era hábito dizer sempre que cá chegava e saía: - Eu amo Portugal. Amo os Portugueses. Somos povo irmão. – Na verdade todos os portugueses se sentiram ultrajados, eu própria reagi. Por isso ontem resolvi dormir primeiro para poder escrever de longe de tudo. Bom, já vi muito bom português a brincar com coisas brasileiras e pior, a gozar – não como os brasileiros o conotam, este é um gozo diferente...será?! Desculpem amigos. – do seu próprio país. Depois pensei, fónix... vê-se tanto xabrega por aí a dizer que Espanha é que está a dar que os portugueses são uns merdas sem educação nenhuma... que na Holanda é que é tudo como deve de ser... que deviamos seguir o exemplo do resto da Europa e tal. Digam-me lá! Isto não parece aquela saga da nossa amiga Mafalda da banda desenhada, onde ela dizia mal dela própria com todos os nomes que pudesse e, na altura que a amiga se aproveitou para lhe chamar burra, levou logo um estalo? Visto de longe parece-me bem e lá me vou rindo de novo. O grande erro da maioria dos comentários não é a indignação pelo que disse ou brincou a Maité mas o facto de se posicionarem no facto dela ser brasileira e aproveitarem para atacar os que cá vivem. Se bem me lembro, tenho alguns tios no Brasil e muitos primos que já nasceram por lá e, julgo que devo ter algum respeito por eles e por outros portugueses que por lá proliferam. Desta forma como encararia eu o facto se um deles mandasse uma daquelas anedotas à moda do Alentejo mas incluindo a cultura brasileira e, por essa razão, todos os outros fossem atacados, achariam bem? Eu não... por isso e depois de pensar e, apesar do meu comentário apenas se ter referido à Actriz, penso eu... já nem me lembro bem mas acho que ficou à vista de todos. Sim, reconheço que não gostei da forma como foi expressa toda a brincadeira mas, depois lembrei-me das que faço ou já fiz entre amigos. Das que vejo outros fazerem também e já só posso dizer que é provocativa apenas porque vem de uma figura pública que, apesar de tudo foi sempre acarinhada pelo nosso povo. No entanto, não me quero esquecer que todos nós somos humanos e caímos nas nossas próprias ciladas humorísticas que os outros nem acham muita piada. Eu própria corro muitos riscos destes, apenas com uma vantagem, não sou figura pública e não me é imposto esse cuidado redobrado. Mas acreditem que em relação ao assunto vi outros vídeos ainda mais vergonhosos que pareciam uma guerra aberta de xenofobia e até mete dó ver tanta porcaria exposta naquele site. Bom, uma ilacção tirei, é assim que se começa uma guerra mundial, da forma mais estúpida que podemos verificar se entrarmos no “utubias” e pesquisarmos o nome da actriz. Só vemos respostas e contra-respostas em vídeo que mais valia ficarem quietinhos porque em vez de se mostrarem à altura da sua condição ainda enterraram mais o que pretendem defender, a nossa cultura. E porquê? Vejam tudo com atenção se tiverem tempo para tanta porcaria e verão que entre vídeos e comentários pouquíssimos dizem uma para a caixa. E porque não estou por lá? É simples, resolvi que não meteria o meu nome no meio de tanta porcaria... ainda tentei, juro que tentei mas... era demais ver tanta coisa ridícula e ficar mal acompanhada. Acho que se devia pensar melhor antes de fazer aquele tipo de coisas. Pois ok, sei que corro o risco de irem à minha página e gritar que “aquela porcaria é que não tem qualidade” pelo menos tenho a consciência que não ofendo ninguém nem estimulo guerras culturais ou xenofobias e aí sim, durmo feliz.

Bom, visto que somos “poupadinhos da Europa” vamos lá poupar tanto desgaste e, separar o trigo do joio e não cruxifiquem a maioria pela minoria, caso contrário seria uma desgraça pegada neste nosso mundo já com tanta coisa para chorarmos que até nos faz rir de tanto pensar.

Ainda estou a pensar onde andam as minhas poupanças....(risos) E vocês, não?!

Luísa Abreu





sexta-feira, 24 de abril de 2009


TEXTURAS

Relevos da saudade,
Cheiros de sonho e liberdade,
Ventos esquecidos
Sangues jorrados
Entre guerras cultivadas em campos alheios,
Ventos soprados
Por outras vontades e devaneios...

Texturas
De vidas que se queimaram em nome de quê?
Texturas
De gritos revoltados no peito de quem não vê.
Texturas
De perfumes que escorrem na saudade,
Texturas 
Que deixou o outro lado da liberdade...

Luisa Abreu
25/04/09


A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS 

(O OUTRO LADO)

Abril de 1974. Luanda andava vestida de confusão, os seus vestidos finos viraram farrapos de gritos de revolta. Gritos de gente que nem sabia porque gritava. Os seus adornos chamavam-se medo e, poucos eram os que ainda se sentiam seguros por ali. O meu pai teimava em querer ficar e fazer algo positivo por aquela terra que, para ele era grandiosa. Voltar seria morrer. Ao contrário do que ele pensava, ficar, sim... ficar, seria morrer. Dissera-lhe um amigo nosso que era pescador e residente na Praia da Contra-costa. O nosso amigo João que tinha 10 filhos todos pequenos.

Aquela praia era mágica para nós. Beber de um côco acabado de arrancar do coqueiro e, comer côco fresco, partilhando-o com quem gostavamos era soberbo. No meio daquele alvoroço, sabiamos que algo mudaria de vez... sabiamos que as coisas estariam a perder-se mas, ninguém nos dizia o quê, nem porquê. Èramos crianças... eu e os meus irmãos. Mas, estavamos atentos a qualquer reviravolta. Continuavamos a ver no nosso pai a recusa de voltar ao ponto de partida. Ouviamo-lo dizer que ali era a sua terra, que, fora ali que construira tudo e que nunca fizera mal a ninguém para ter agora de abandonar tudo. Entretanto, já se ouviam tiros a estalar pela cidade. Já se ouviam uivos de vingança que, não entendiamos. O meu pai tentou explicar, dentro dos possíveis o que se passava mas,mostrou-se também esperançoso em ficar. Até que um amigo nosso traduziu para português algo que ouvira de Savimbi que, em português dizia que todos poderiamos viver em harmonia e lutar pelo progresso do País e, em kimbondo proclamava a morte dos brancos. Foi uma desilusão estampada na face de meu pai.

Não tardou que se ouvisse o som de bombas a rugirem e de balas uivantes a passarem rapidamente pelas paredes. O meu pai levou-nos a todos para o aeroporto, onde estivemos a dormir debaixo de tendas à espera de vez para voarmos até Lisboa. Entretanto, estavamos protegidos pela tropa que nos ia levar as refeições. Enquanto os adultos mostravam-se nervosos e preocupados, as crianças, como nós, limitavam-se e espairecer andando de bicicleta ou a brincar uns com os outros sempre que era possível. Os dias passaram-se e lá chegou o momento de embarque. Estavamos todos preparados e, avançamos para a porta que nos ia levar para uma cidade desconhecida mas, de que já ouviramos falar algumas vezes. A viagem foi engraçada mas longa. Vimos um filme, ouvimos música e, essencialmente estavamos todos juntos.

Passadas umas horas, lá aterramos no aeroporto de Lisboa. Ao sair do avião o frio envolveu-me de tal forma que me senti enfraquecer. De repente meteram-nos em várias filas, havia tanta gente em volta que tudo parecia confuso e, perdi os sentidos. Quando acordei, estava numa cadeira de rodas já num corredor de hospital. Fui objecto de imensos testes e análises. O meu pai disse-me que me julgaram com Malária ou outra doença africana. Fiquei um mês no hospital onde fui vista e revista e, nada tinha. O que acontecera no aeroporto foi o resultado de um choque térmico, visto que vinha de um país muito quente e, aqui se fazia sentir o oposto. A minha mãe e os meus irmãos seguiram para a Iha da Madeira de onde éramos todos oriundos. O meu pai, ainda perguntou-me se preferia ficar por Lisboa ou, se queria realmente ir para a nossa terra. Claramente disse-lhe que adorava conhecer a terra onde nasci e conhecer a minha família. Assim foi. Ao receber alta seguimos viagem para o Funchal.

Após o vôo lá aterramos. No aeroporto senti que a pronúncia era diferente da que estava habituada mas nada que não me adaptasse. Cheguei à casa da minha avó. Lembro-me de a olhar muitas vezes sem que ela reparasse ou, assim parecesse. Achei-a uma mulher lindíssima. Fiquei contente por ter-nos recebido bem e por ter tido a sorte de a poder conhecer. Os meus pais poupavam-nos aos dissabores de enfrentar enormes filas nos postos do IARN (penso que se escrevia assim) mas, nós sabiamos o que eles e os nossos irmãos mais velhos passavam por lá. Até que ouvimos o meu pai dizer que iria desistir porque aquilo era uma aldrabice pegada e, que nem todos eram assistidos como deveria ser. O meu pai começara entretanto a trabalhar num hotel.

Conforme os dias foram passando, comecei a ter mais consciência da falta que me fazia Luanda e de tudo o que vivera nos últimos dias. Foi como se tivesse rebobinado toda a fita até então. Só então, apercebi-me o quão grave tudo aquilo tinha sido. De como tinha sido mau ver pessoas sucumbirem perante a miséria dos últimos dias. Lembrei-me de algo que julguei já ter esquecido mas, que nos meus sonhos regressava. A figura de uma mulher - vendedora de peixe à porta das casas - que, ao sentir-se traída pelo marido, resolveu apunhalá-lo. Lembro-me de olhar o seu rosto e parecer-me um boneco de cera mas, trazer no peito o buraco da lâmina que lhe tirara a vida. Lembro-me de vê-lo a ser transportado para o hospital enquanto os filhos choravam, os gritos da mulher já desnorteada. As pessoas em volta revoltadas com as tropelias daqueles dias solarengos mas cinzentos. Passou-me pela cabeça a figura de um homem enorme, sem mãos e sem testículos  que, pedia repetidamente para o matarem porque já não era um ser humano. A imagem de uma mulher a fugir, em correria, com o filho nas costas e, que o infortúnio deixou cair ao chão morrendo. A agonia da mulher estampada no seu rosto ao ver o seu bebé no chão - tinha batido com a cabeça numa pedra enorme - e o saber que de nada valia voltar para o apanhar. Vê-la a correr continuamente e a olhar para trás com as lágrimas a cair pelo rosto até desaparecer de vista. A figura dos três homens que a presseguiam, também sem desistirem. Eram coisas que me chocaram mas que na altura não entendia, ou nem tinha tido tempo para parar e pensar. Ver um povo matar-se aos poucos e descriminar pessoas da sua própria etnia era algo confuso. Até então julgava que todos viveramos em harmonia e, realmente assim foi. Hoje sei que não era assim no interior de Angola, o que na altura desconhecia de todo. Tinha ouvido falar na guerra de 1961, em tudo o que se gerara em Angola. Cheguei a ver um livro sobre as violências praticadas na época, de parte a parte. Mas imaginava tudo aquilo já muito longe.

Os primeiros dias no Funchal seriam marcados pela adaptação. Foi sentir o impacto de sermos, a priori, tratados como estranhos numa terra onde nasceramos. Não pela família que nos acarinhou mas, pela vizinhança, de onde soltavam-se frases como: "- Andaram a maltratar os pretos agora vêm para cá fazer o quê?, Voltem para África, vão viver com os pretos que andaram a escravizar.” Estas frases caíam como baldes de água fria. Era algo em que não queria acreditar. Nunca vira ninguém ser escravizado onde morava. Tinha colegas na escola que não eram separados por raças... ouvir as coisas serem ditas assim, parecia estranho. Lembro-me de um dia em que resolvi sair de casa em calções para ir para a praia que ficava na rua de baixo "A Barreirinha" , apareceu um grupo de rapazes bem mais velhos que eu que, na altura, tinha 11 anos e chamaram-me prostituta. Contei ao meu pai o sucedido e perguntei o que queria dizer este nome que, por estranho que pareça desconhecia na altura. O meu pai ficou indignado mas explicou que ali não estavam habituados a ver as raparigas de calções e que era tudo muito novo para eles. Dei-me conta que haviam muitas coisas novas, para nós e para eles. Acho que todos se adaptavam às mudanças que se fazia na época. Lembro-me que as meninas não andavam de bicicleta, nem faziam algumas das coisas que eu estava acostumada a fazer com os meus irmãos, brincadeiras próprias de crianças. Haviam separações em muitas coisas. Lembro-me de ser uma pessoa muito observadora e quieta na altura mas que me tornara mais agressiva por me ver obrigada a defender-me constantemente de palavras insultuosas contra as pessoas que, embora nascidas na terra, tinham regressado como eu. Éramos os retornados para toda a gente. Lembro-me que sempre que me defendia de uma agressão de algum colega de escola ouvia uns gritos a chamaram-me retornada, racista, exploradora e, outros nomes que não se encaixavam na minha cabeça. Lembro-me de tornar-me fria e distante. Mas o tempo foi passando. As peças foram-se encaixando. As mudanças fizeram-se a bem ou a mal. Fiz bons amigos e amigas na minha ilha natal. Um ano depois do regresso meu pai falecera mas, desde que chegaramos, assistia à sua desistência diária... ao seu desalento... à sua desilusão. Lembro-me de ter ajudado o meu pai a vestir-se para ir para o hospital... a última vez que o vi em casa... não mais regressou. Entretanto, sentia na minha mãe uma força indiscritível para aguentar a família e equilibrar todos os balanços para que nenhum de nós naufragássemos. Claro que ela sofrera, claro que se desiludiu e debateu mas, rebuscou dentro de si mesma as forças necessárias para proteger-nos e, ajudar-nos a prosseguir mais essa jornada nas nossas vidas.

Entendi que o 25 de Abril não tinha só trazido coisas más. Sim, não fora muito positivo para quem estava do outro lado do oceano. Não tinha sido feito a pensar em quem lá estava, ficaria, ou voltaria, decididamente. No entanto, compreendo que Portugal necessitava da revolução dos cravos para se libertar de muitas amarras.

Hoje, observando tudo de longe. Sinto que muita coisa se fez mal, mesmo em Portugal. Destruíu-se muitas coisas belas que poderiam ser aproveitadas e transformadas a favor do país. Digo isto porque conheci alguns locais que hoje poderiam ser um luxo a partilhar e que foram destruídos por pertencerem a gente que abraçava na altura, o sistema da ditadura. Penso no entanto, que poderia-se ter combatido o que estava mal mas, dar continuidade ao que já estava feito de forma positiva. Lembro-me, por exemplo de ver na Praia da Fonte da Telha, na margem sul do tejo uma zona de piscinas muito linda mas muito destruída também que, acabou por ser tapada por areal. Era algo interessante e, onde eu adorava ir. Hoje já não existe senão em fotografias do meu album ou, de quem como eu, gostava de lá ir. Como este haverão outros tantos exemplos que não me vou debruçar agora. As coisas passaram-se da forma que se passaram. Penso que todos fizeram o que consideraram melhor. Uns perderam, outros ganharam... uns aprenderam e outros também não... o importante é poder sempre seguir em frente agradecendo tudo o que se viveu e aprendeu.

Isto é apenas um cheiro, por alto, de coisas passadas que me surgiram devido ao facto de ouvir o fogo de artifício estalar e festejar mais um 25 de Abril na nossa vida. (...)

 

Luisa Abreu

25/04/09

 

 

 


 

quarta-feira, 15 de abril de 2009

ZEITGEIST - OFFICIAL RELEASE 


NOVA TOMADA DE CONSCIÊNCIA?... 

Mais uma vez não me nego a parar, reflectir, entender a engrenagem social, como sempre o fiz na vida. Muito do que se relata neste vídeo, já muita gente dirá que não é de todo desconhecido, Claro que não. Muitos casos de interesses e poderes são atirados para os tribunais como "bode espiatório" escondendo, contudo outros mais avolumados que vão seguindo impunemente e com um à vontade que nem se imagina. Não se deixem nunca enganar... todos os negócios feitos têm interesses sociais e de poder - o que realmente é uma pena. 

A parte da bíblia é um pouco hilariante. Digo hilariante porque sempre me indaguei sobre alguns factores e, agradeço ter tido uma educação virada para a religião mas, onde sempre fui livre de a escolher ou não. Escolhi-a porque sempre me senti confortável para o fazer e, felizmente aprendi o suficiente para que não acolhesse todas as letras como uma tábua rasa. Sempre coloquei questões em tudo tornando-me por vezes "persona non grata" - coisa que fui-me habituando a ser ao longo da minha vida. Por vezes seria bem mais fácil aceitar as lavagens cerebrais que a nossa sociedade sempre nos impõe mas, o caminho mais fácil nem sempre nos leva a bom porto. 

É interessante pararmos para pensar porque tanta gente foi decapitada ao longo da nossa existência humana. Porque as leis foram mudando e as religiões de acordo com o percurso de vida nas sociedades. Porque se acusaram tantas pessoas inocentes para que o povo se distraísse e deixasse passar impune os verdadeiros causadores das discórdias.

- Quem não sabe que as guerras alimentaram muitos "gulosos do Poder"?
- Quem não sabe que o Poder é uma só palavra que alberga imensos interesses, seja a nível religioso, financeiro ou social?
- Quem nunca soube que tem voz para expressar o que incomoda o Poder? Porque se alimenta os ais desse mesmo Poder?
- Quem não sabe ou não sente que geralmente a televisão é uma fonte de ideias feitas ou, que serve para nos tentar mostrar o que interessa ser mostrado, apenas?

Tantos "quem e porquê" poderia levantar aqui... poderiamos todos, afinal. No entanto, muitos são os que se acomodam na sua bela cadeira e deixam as horas passarem. Poucos são os que se levantam e vão levando machadadas até desistirem... porque entretanto há sempre quem divida para poder reinar. Às vezes penso: porque será que o povo esquece-se que em massa vota mas, em massa também pode mudar algo neste mundo? Como resposta obtenho o silêncio. Ou apenas umas vozes irritantes a mandarem calar o meu pensamento por não ser oportuno. Tenho FÉ, sim... mas não nas instituições humanas... acho que já me roubaram essa fé. Ainda acredito ser possível olhar o ser humano e ter orgulho de o ser e poder gritar alto que mereço melhor. No entanto, muitas vezes dou por mim a desistir aos poucos... tento não esvair-me ou deixar-me morrer... tento deixar a minha voz acessa. É cada vez mais difícil... começo a perder as forças ou a ver-me forçada a parar uns tempos para retemperar esta minha vontade de seguir em frente. Já estou habituada a olharem-me como alguém diferente, a apontarem a minha vontade de ser como imprópria. Não me faz diferença isso. Já não me incomoda. Só me incomodaria se isso me obrigasse a deixar de ser eu própria.

Todos os temas aqui delineados são revoltantes e ultrajantes para a raça humana. No entanto, tento manter um médio plano. Questionar, entender, receber, ver e tentar construir algo, mesmo no meio de tanta destruição. Mais que não seja, tentar lançar a semente de nova consciência e, sem querer castrar, fazer com haja sempre quem olhe e oiça, sem deixar de pensar e questionar sempre, por si mesmo. Mas esta é a história da humanidade e, por isso existem muitas formas de atrair e cativar que não me impressionam. Há quem se agarre ao espiritualismo, outros às religiões, outros às políticas. Qualquer destes "clubes" usam a chamada lavagem cerebral... o que os torna decepcionantes para quem quer mais.

Penso que todos têm a consciência de que todos os que tiveram a coragem e ousadia de mostrar as coisas tal como são, foram de certo modo, colocados à parte ou enterrados em mentiras. Mas a maioria prefere ficar calada. Por muito que se grite e diga ou se sinta que é necessário mudar, existem sempre os que preferem assistir sentados no seu cómodo egoísmo e deixar que outros o façam para que possam depois usufruir, se possível. Todas as mudanças efectuadas nas sociedades mundiais até agora, se bem analisadas, efectuaram-se porque serviu bem quem estava no Poder ou o ambicionava. Temos muitos factores relevantes descritos ao longo da nossa história. Basta saber ser e ponderar para que tudo se clarifique. 

Luisa Abreu


sábado, 14 de março de 2009

GUERRA DOS SEXOS?!
























GUERRA DOS SEXOS?!


Vá não pensem mal, só porque viram este título! Não vou dar pancada em ninguém em especial e, vou falar de uma maneira geral. Pretendo sim falar de homens e mulheres mas num sentido lacto. Por vezes chateia-me ver alguns tipos a falar à boca cheia, tanto de quem têm lá em casa como de quem anda por fora de uma forma desrespeitosa. Podem dizer, há pois e elas não falam não? Claro amigos! Calma! Elas também falam... dizem que eles são uns chatos que não as entendem. Que só servem para dar trabalho e tal. Muitas referem o marido como um segundo ou terceiro filho... cada um é para o que nasce. A verdade é que também algumas estimulam tais situações. Mas, a bem da verdade! Nunca ouvi falar da forma que eles falam...isso chamem-me nomes! Não há problema, nem os oiço e sei do que falo porque trabalhei o tempo suficiente num gabinete só com homens. Sortuda! Pensarão algumas ou alguns...bem, nem por isso...infelizmente, se fosse eu a escolher talvez pudesse ter melhor. Eles deviam pensar o mesmo de mim, acredito. Mas cada um vale o que vale e de perfeita também não tenho nada, felizmente... Não que sejam assim tão péssimos como isso mas pá é um pouco chato estares no meio de vários tipos e de repente um abrir a internet e gritar pelos outros, de uma forma histericamente excitada para que vejam uma boazonas nuas que lhes mandaram... e olhem que nem falo de nus artísticos...não! Estes são mais o tipo de nús do chamado karaté alentejano. Uma expressão muito usual para a pronografia. Pior ainda é quando se está a fazer algo e nem se dá conta do que se passa quando se ouve uma voz a dizer pa não olhar para o écran porque vão passar cenas indecorosas... claro que isto para mim é dizer: - Olha lá para o écran para ver o que achas disto! Ou tipo: - É pá! Vou-me vestir não olhes. Vocês não olhavam? Nada tenho contra gostarem de ver pronografia...cada um come com o que mais se pode sustentar. Há gostos para tudo mas, irem para o local de trabalho abrirem este género de coisas e depois andarem com piadas amorfas... é de bradar aos céus. Mas como tudo, isto não tem sexos pá. Toda a gente tem o direito de gostar seja do que for e onde for desde que não incomodem mais ninguém e, olhem que nem me sinto incomodada porque me passa ao lado.

No entanto, o que me leva a escrever são precisamente outros ítens. Certamente toda a gente já ouviu alguém dizer que as mulheres são complicadas e os homens pessoas simples e mais à vontade. Não é verdade! Isto não existe desta forma... existem pessoas simples, pessoas complicadas, pessoas invejosas, pessoas arrogantes, pessoas que se julgam acima de outras pessoas, pessoas racistas, pessoas, pessoas... pessoas... não existem sexos. Ups! Ou melhor não existe a divisão de sexos que se quer, na maioria das vezes fazer. A guerras dos sexos é muitas vezes estimulada, pelas desigualdades, pelas descriminações, e, pela vontade que existe num sistema de dividir para governar. Também se verifica quando se sente que existe competição... por acaso uma estupidez que anda a alargar-se em todas as áreas, sem regras nem bom senso.

Então, posso garantir que depois de ouvir imensas vezes que a mulher é um ser extremamente complicado, devo dizer também que alguns homens gostam de fazer avaliações precipitadas sem olhar o espelho... e reparem, disse alguns, não todos... mas pode-se aplicar também a algumas mulheres, pois as há tão complicadas ou tão simples como eles...não é uma questão de sexo, continuo a afirmar. Apenas o vou dizer no masculino, porque realmente foi no masculino que o ouvi vezes sem conta, apesar de ter consciência que, infelizmente, algumas mulheres avaliam outras da mesma forma...passando à frente. Bom, depois de alguns, que já são muitos, anos a ouvir que as mulheres são seres não muito fáceis de se aturar. Ora, quantas vezes não ouvi e ouço eu que: - Ah! Viste aquela gaja? Bem amandada, faz-se como gente grande. E o outro vai e diz-lhe: - Há bem piores pá! A amiga dela tem a mania que é difícil. Um gajo faz-se e tal e nada de nada. Que estupidez! Claro está que é decepção atrás de decepção para este tipo de pessoas e, que complicação. Mas não se ficando por aí... sim, que isto de estar entre homens tem o que se lhe diga e, aprende-se muito. Mas o mais interessante é vê-los a combinar para uma noite de engate na discoteca e tal, lá vão com as suas armas e bagagens a toda a força e, no dia seguinte os belos dos comentários: - E ontem man? Caraças! Sempre foste pa cama com aquela gaja? – ao que o outro respondia – Claro pá, aquela gaja é muito fácil, dei-lhe três sem tirar (nem pôr, esqueceu-se ele de dizer, lol). Foi um ver se te avias mas, pá, não quero nada com ela... fácil demais...achas que aquilo é para mais de uma noite? Como foi comigo vai com outro. – cá para nós que ninguém nos lê, na melhor das situações passaram a noite a conversar mas ele quer manter a boa aparência social. Nisto as mulheres são mais sinceras e abertas, ou fizeram ou não e acabou-se...digo eu!

Mas nem tudo é um mar de rosas e, há sempre um dia em que ouvimos dizer: Ah! Pá as mulheres são mesmo umas complicadinhas e não sabem o que querem. Nós ao menos sabemos e dizemos na lata - mas afinal qual a lata que dizem... elas nem de lata são! E lá continua – Lembras-te daquela loira que estava no café ontem? Essa então man, esquece! É um cú-doce de primeira, diz sempre que não quer nada e tal... ainda tou para ver...e tu?
- Eu é naquela... não tarda deixo a minha, já me xateia com as limitações, ainda a mando passear. Tem a mania que é autoritária e controla mas troco-lhe as voltas. – disse com ar desiludido. Ao que o amigo respondeu.
- Deixa lá cada um com a sua cruz, a minha é uma tonta sem opinião nenhuma, até chateia...concorda sempre com tudo o que lhe digo. Mas, olha pior ainda é a do Carlos pá... aquele gajo tem uma sorte dos diabos. Imagina que a mulher dele resolveu que ia continuar a estudar...para quê? Para lavar os taxos não precisa de estudos. Tem a mania que tem ambições... Mas ele diz que a apoia...um corno manso é o que é. Na volta a tipa quer é laurear a pevide.

Bom conversas à parte as coisas pareciam rondar sempre sobre o mesmo esquema. Se não era sobre mulheres era sobre carros ou motas mas, nenhum destes mais interessante que o outro. Via-se um na janela a chamar os outros: - Olha pá, venham ver! Vai ali a dondoca, tem a mania que não liga a nada, aquela gaja, a nada nem a ninguém... mania de importante é o que é! Os outros riam-se e lá vinham de novo as opiniões mais diversificadas sobre a mulher. – Sim tens razão estas mulheres são mesmo complicadas. Imagina tu, meti conversa com uma morenaça daquelas que é de apertar e chorar por mais. Depois desenvolveu-se conversa. Eu a ver se a levava no bico e a tipa falava em politica, desporto, o sistema, a educação... ai que nervos eu já tinha. Querem lá ver que me tinha saído uma feminista de um raio e eu a perder o meu tempo? Ainda por cima vimos uma barata no chão e o raio da mulher desata a matá-la. Mas que falta de chá pá! Que vergonha, nada feminina pá. Gosto delas mais femininas.- Enquanto dizia isto o amigo avançou: - Ah ok! Tu querias uma daquelas que sobem a mesa e desatam aos gritos, uma medrosa do caraças que dá nervos! Pior, pior é a gaja do Manel que tem a mania que não aceita tudo... uma fresquinha é o que é! E, além disso, ainda por cima ganha mais que ele, uma humilhação é o que é... o gajo deve ser humilhado por ela.

- Ó pá! Humilhado eu até queria era mesmo uma dessas. Pior está o meu primo que tem que sustentar a dele que se encosta pa caraças, ganha menos que ele e tá sempre na pedincha. E a tipa só quer é cosméticos pá. O homem gasta um dinheirão com ela... havia de ser comigo. Narcisista é o que ela é... só pensa nela e nos produtos de beleza. E não quer fazer nenhum... nem sei como consegue mas sai sempre muito cedo do trabalho, aquilo nem deve trabalhar, sequer...Não era para mim! – Disse indignado. Ao que o outro retorquiu:

- Migo, antes isso que a bota da tropa que o Félix anda... desleixada até dizer chega. Nem sei como ele anda com aquilo. Ainda por cima sai sempre tarde do trabalho, cá para mim anda metida com o chefe... é assim que elas sobem! Bem, nem sei quem quer aquilo além dele... se calhar nem é bem assim. Ela é que é uma gananciosa e só quer é ganhar horas extras. Mas pior para mim pá... é o tipo de mulher que um gajo quer ver o desporto e ela só quer tar com a televisão para ver novelas e programinhas fúteis... é logo uma discussão do caraças. E a panhonha que acena que sim a tudo o que queres...ah...não...submissa demais, não presta! Disse-o convicto de que era expert no assunto. E o amigo acrescentou:

- Não, não... há bem pior! Pior que isso é aquela que anda sempre de livro na mão e tem a mania que é intelectual. Opa a gente quer lá saber de tipas inteligentes para alguma coisa? E depois têm a mania que sabem tudo e são umas mandonas de primeira, porque se dizemos ai, logo aborrecem-se connosco. Se não levantamos a tampa da sanita é logo outro sarilho. Caraças pá! E as gajas que gostam de rock, altas malucas! Nem te passa pela cabeça... mas até acho melhor que as brejeiras...sempre a ouvir música romântica e a pensar no principe encantado...pobres! Mas a ciumenta dá-me cabo da cabeça pá, são bem neuróticas estas mulheres e apetece-me logo é fugir... ele há de tudo nesta vida pá...as gajas que nos enganam bem e nada fazem para que nos sintamos amados...parecem umas insonsas. As loucas que adoram os martelinhos das músicas electrónicas, se fôr preciso o dia todo. Há um tipo que me chateia também que é aquela tipa que fala alto parece que está sempre descontrolada ou então a que fala quase nem se ouve...uma subserviente de merda!

Também posso dizer-vos que de algumas mulheres já ouvi falarem mal de algumas coisas ou pessoas mas de quem, este tipo de mulheres, tem mais gosto em falar é mal de si próprias. Ora vejamos, quantas vezes já ouviram algumas mulheres – continuo a dizer algumas – falar mal de outras ou a colocarem-se numa posição ingrata. Devem estar a perguntar-se o que será uma posição ingrata. Pois passo a dizer que um destes dias, em que foi preciso tomar uma atitude assertiva sobre um assunto que dizia respeito ao grupo onde estava inserida e, em reunião, fiquei estupefacta quando ouvi comentar que para escolher alguém que levasse o caso mais longe e de forma mais definitiva, deveriam todas escolher um homem porque impunha mais respeito. Isto dito por uma mulher é uma coisa hilariante porque, são elas que depois reclamam para si próprias esse respeito. Claro que não foi um caso grave porque até foi dito meio na brincadeira mas, quantas e quantos não pensarão assim? Ora o respeito como qualquer outro conceito não tem sexo. São formas de estar na vida e de mostrar de forma assertiva o que se pretende. Mas infelizmente, na brincadeira, ou não, devo dizer que conheço muito boa gente que pensa seriamente que esta é uma grande e única verdade. Diálogos como estes são muitos e ouvidos diáriamente: - Pois, pois, eles são mais sinceros. Elas cravam a unha por tràs. Além do mais detesto os ambientes das Fábricas, é só mulheres e parece que se comem vivas com tanto disparate, não há paciência para tanta rivalidade.

Bem, caro leitor, nem me vou alongar mais pois nem sei se conseguiram ler até aqui, nesta leitura desgarrada do disse que disse, do que é e não devia ser porque sinceramente,
o ser humano nunca está satisfeito e, como sempre disse isto no seu todo é algo que nem tem a ver com o facto de ser masculino ou feminino. Pelo menos não acredito nisso, apesar de ouvir constantemente as mesmas lenga-lengas. Mas, para aqueles que se julgam simples e descontraídos, digam-me lá, afinal como podem dizer que a mulher é complicada? Porra! Claro está que não é a mulher nem o homem, é o ser humano de uma forma geral que adora complicar. Nada disto tem a ver com sexos ou com guerras de sexos...haja paz neste mundo que de guerras já estou eu farta. Melhor mesmo é saber dialogar e viver lado a lado reconhecendo que todos nós temos os nossos defeitos e virtudes e, a todos nós cabe saber ceder e fazer ceder de acordo com o crescimento de cada um e em conjunto como pessoas que somos. Guerra dos Sexos?! Ah! Isso é coisa para quem não tem mais que fazer. Mas, convenhamos...tanto se ouve, tanto se ouve que chega uma altura as coisas ficam enraizadas. Por isso o melhor mesmo é arejar as ideias com pessoas diferentes E agradecer as lições.

Luisa Abreu
05/03/09

A TODOS O QUE VÊM O MUNDO SEM RÓTULOS, SEM DESCRIMINAÇÃO SECTÁRIA E DE SEXOS MAS ONDE NOS POSSAMOS COMPLETAR, COMO SERES HUMANOS, E CONTRIBUIR PARA MELHORAR ALGO NO NOSSO DIA-A-DIA, SENÃO NA RUA, PELO MENOS NA NOSSA CASA.

http://www.youtube.com/watch?v=Qx_9aQRzSC8&feature=channel_page